Depois de tudo isso, todos devem pensar que eu virei uma drogada que se corta e vive se metendo em confusão.
Não mesmo.
Melody Grace não é uma garota desse tipo. Me cortar foi um erro que não vou repetir - espero. Beber só depois da idade permitida. Drogas - distância. Confusão? Minha vida é uma, não preciso de mais.
Descobri que Jus e Chris não tinham ido às aulas de férias. Então não foi ninguém mesmo. Torci pra não bater com eles na rua, mas já estava com saudade deles. Muita.
O anel? Está escondido. Não, diferente do que muitos pensam, não está no meu próprio corpo. Não o uso mais como colar, nem como anel, brinco ou o que for. Esta bem no fundo do vazo de centro de mesa da sala da nossa nova casa. A ideia foi do Niall, por que se quebrassem o vazo, a terra ia esconder o anel. Zayn ainda incrementou dizendo para o anel ficar enrolado em um pano preto ao invés de branco. Nem eu acho o anel assim. Nem Luke. Nem ninguém.
O resto do ano estava passando rápido. Ok, de verdade, eu precisava falar com Chris e Justin.
Já era novembro quando decidi que não aguentava mais.
-Ei vocês. - Chamei no intervalo. Eles estavam conversando com Chaz, Ryan, Nolan - novato -, Cody e Jaden, rindo, mas os sete pararam quando os chamei. Chaz e Ryan ficaram tensos na hora. Nolan sorriu pra mim e eu devolvi. Cody e Jaden ocuparam os lugares deles quando se levantaram.
-Oi Mel. - Justin disse meio sem graça.
-Oi. - Chris disse.
-Podemos conversar?
Eles se olharam e deram de ombros.
-Claro. - Disseram em uníssono.
Andei pra longe e depois de um tempo ficamos à sós na árvore do pátio. Eu ainda estava de costas pra eles quando senti seus olhares pesados sobre mim. Respirei fundo, me virei e os abracei em velocidade record.
Ok, isso foi ridículo. Mas eu precisava. Não aguentava mais ficar longe deles, e não tinha mais ideia do que brigar. A surpresa deles foi óbvia, por que eles estavam bem tensos no começo, mas relaxaram e me abraçaram de volta. Eu os ouvi sorrir e senti suas cabeças se mexendo para se olharem.
-Estava com saudade de vocês.
-E nós de você também, Melody. - Chris disse.
-Nós? - Eu ri. - Um fala pelo outro, agora?
-Somos irmãos, Mel. - Justin me informou. - Sempre faremos isso.
-Tenho que me acostumar. - Nós rimos.
Ficamos abraçados mais dois minutos até que os dois me soltaram e olharam nos meus olhos. Eles pegaram cada um uma mão.
-Desculpa, Mel. Eu fui um babaca. Ok, sempre fui, mas me superei. - Justin começou.
-Me desculpa ter chateado você também. Eu... - Chris ia continuar, mas Justin interrompeu.
-Mel, olha pra mim. O Chris não teve culpa de nada. Se quiser ter raiva de alguém, apesar de que isso vai me doer, por favor, que seja de mim. O Chris brigou comigo, me bateu, me ignorou, e depois me deu uma chance. Não sei se mesmo depois disso você ainda vai falar comigo, mas pelo amor de D'us, não castigue ele por meus atos.
Chris e eu o olhamos. Nem ele sabia o que dizer. O rosto de Justin aparentava uma tristeza óbvia. As olheiras de Chris - que ele vinha aparentando ter à algum tempo, junto com seu mais novo cansaço e falta de apetite - ficaram mais fundas.
-Justin.. - Ele ia começar, mas o garoto não deixou.
Os olhos de Justin agora estavam quase que suplicantes pra eu perdoar o Chris.
O Chris. Não ele. Ele não queria meu perdão, ele queria o do Chris, por que ele pagou pelo que o Justin fez.
Suspirei.
-Eu ainda estou com raiva dos dois.
-Eu sei, mas por favor, perdoa ele. Eu não mereço seu perdão, você tem razão, mas ele..
-Os dois estão perdoados. - Interrompi.
Chris sorriu na hora, mas Justin ficou surpreso. Nem sei por que, não sou tão má assim --'
Sorri de volta pra Chris e apertei a mão de Justin. Ele piscou e me puxou pra abraçá-lo novamente.
-Obrigado, Mel... obrigado mesmo...
O abracei de volta com um sorrisinho.
-Não tem o que agradecer. Eu não quero ir embora sem ficar com vocês mais um pouco. - Fiquei triste, e os notei ficando assim também.
-Não queria que você fosse... - Justin disse em meu pescoço, o que me fez tremer.
-Nem eu... mas eu preciso... infelizmente... - "Por causa de uma PORRA de um anel idiota!!!".
Ah é, expliquei sobre o Luke? Não, né? Ele vem pra escola na cara de pau e sorri pra mim. A Jessie, o Launt e a Birth também. Por isso, a Megan tem entrado e saído da escola na minha companhia. Ainda não descobri quem era o refém, e ninguém que eu amo parece ter sido raptado.
Ok, voltando...
-Mande o seu novo irmão cuidar de você por nós... - Chris disse, mas parecia tenso.
-Jake vai cuidar. Ele prometeu da última vez em que nos falamos. Está preocupado?
-Hm... sim... eu não gostei muito dele, não...
Justin o olhou, agora ficando preocupado. Visivelmente, eles compartilhavam de um segredo o qual eu não fazia parte. Suspirei.
-Vou ficar bem, eu prometo.
Ele me abraçou.
-Ligue o Skype todos os dias. Se não ligar, vamos perturbar você.
-Como? - Me peguei sorrindo.
-Não sei, mas vamos u.u Sempre dei um jeito em tudo, não dei?
-Sim. - Ri. - Sempre. Continue dando.
-Frase ruim. - Justin zoou e nós três começamos a rir.
-Calado, Bieber. - Chris socou de leve o braço dele.
-Ai, hemorragia. - Justin revirou os olhos ainda rindo.
-Ai D'us -Eu ri mais. - Parem, que droga.
Chris ficou um pouquinho pálido. Logo Justin parou de rir e me olhou, sorrindo.
-Culpa do sangue, somos palhaços.
-Você é palhaço, Bieber. - Chris disse.
-Nós dois, Beadles.
-Ui, meu sobrenome.
-Não é intimidador lol
-O seu também não, viado.
-Eu hein, vocês só sabem discutir? - Eu ri.
-Não. - Justin disse.
-Também sabemos brigar. - Chris riu, o que fez com que eu risse também.
É. Definitivamente, perto deles eu ficava muito mais feliz. Como eu ia sobreviver aos Estados Unidos sem eles?
Isso me fez ficar triste.
-Vou sentir muito a falta de vocês... - Olhei nos olhos tristes deles. - Vocês vão me visitar... não vão?
-Todas as férias. Ou se você mandar um ingresso do show da Beyoncé e eu compro a passagem. - Justin sorriu.
-Vai sonhando, Bieber. - Eu ri.
-Vamos sim, Mel. - Chris me abraçou. - Nem que a gente precise ir contrabandeado.
-Hahahahaaa bobo.
Recebi uma mensagem.
"Vou jantar com Rick hoje, o que acha de ficar conversando com Jake?"
Suspirei.
-Minha mãe vai ficar de webcam com o Richard até meia-noite e quer que eu fique conversando com o Jake..
-Mas você tem que estudar pras provas. - Chris comentou.
-Eu sei... bem, pode ser que ele possa me ajudar.
-Quantos anos ele tem mesmo?
-Dezessete. - Olhei o celular. - Vou fingir que não vi a mensagem. Querem ir lá estudar comigo?
-Pensei que gostasse do Jake. - Justin disse.
-Gosto, mas é que... Eu não sei, eu não quero, hoje... mas provavelmente a mamãe já mandou o Rick falar com ele. Ele vai querer falar comigo.
-Vou estudar com você. - Ele sorriu.
-Eu também. - Chris fez o mesmo. - Que horas?
-Às quatro.
-Claro. Aí, Justin, você pode me pegar?
-Posso. - O outro sorriu. - Vamos estudar o que?
-O que vocês quiserem. - Falei.
-Geografia lol
-História. - Chris falou, mas estava brincando só pra contrariar Justin, e nós rimos.
-Bestas. - Comentei.
-Ui, somos bestas lol
-Mas não tenho pelos laranjas e tenho olhos .---. - Justin disse.
-Vai te foder, velho, ainda assistes Ben 10?
-Óbvio kkk é legal lol
-Uai, pelo menos assistem Hora de Aventura? - Quis saber.
-Não. - Justin disse.
-Sim. - Chris sorriu.
-Ah, falem sério, vocês discordam em tudo? - Perguntei.
Eles se olharam e deram de ombros.
-Não.
-Sim.
-Aff - Eu ri. - Dois chatos.
-Não somos chatos.
-Sim, somos chatos.
Dei um tapinha em cada um, rindo.
-Vão ser idiotas pra lá.
-Ah não.
-Não.
-Ahá!
-Ela nos pegou, Beadles.
-É, finalmente. - Eles riram.
Revirei os olhos também rindo e ouvi o sinal, então voltei pra dentro com eles me seguindo. Do nada os senti me carregando e pondo nos ombros deles. Dei um berro e todos olharam pra nós.
-AAAAAAAAAAAAAAAAHHH, SEUS IDIOTAS, ME DEIXEM NO CHÃO!!!! - Eu ria.
-Não lol
-Never lol - Chris disse.
-EM ME ENCHER O SACO VOCÊS CONCORDAM, NÉ?
-É!
-Com certeza!
Eles só me deixaram quando estávamos na porta do laboratório de química. Dei um tapa nos ombros deles, rindo feito louca.
-Babacas!
Eles fizeram careta pra mim e me empurraram pra dentro da sala. Sentamos em uma das mesas que dava para oito pessoas. Selena, Demi, Chaz, Ryan e Nolan se juntaram à nós. Só me deu tempo de notar Demi olhando Chaz um tanto quanto assustada, ele sorrindo e piscando pra ela e ela corando antes do professor entrar. Acho que ele a chutou embaixo da mesa.
-Bom dia, alunos. Vamos começar, hã? - Ele sorriu. Era alto, tinha um sorriso contagiante com dentes bem brancos à mostra, o cabelo fazia uma auréola negra em sua cabeça e o corpo era moreno bem bonito.
Ok, ele é lindo. Os braços dele são ENORMES! A barba tá feita, sem bigode, o rosto tá lisinho, ele é simplesmente lindo.
Não fui a única a prender um suspiro quando ele entrou. Notei boa parte das meninas da sala se segurando também, e os garotos olhando-o feio quando ele estava de costas.
Incluindo Justin.
Chutei sua perna embaixo da mesa e ele me olhou.
-Ai.
-Ai o que?
-Você me chutou.
-Desculpe, estava balançando a perna..
-Mas..
-Justin, aula, shiu. - Pus o dedo em sua boca com um sorriso e ele acabou sorrindo também, voltando à prestar atenção.
Honestamente, os dias tem passado muito rápido agora que estamos em reta final. Já eram 16h e fui até a porta atrás de Justin e Chris, que chegaram dois minutos depois. Sorri e os levei pro meu quarto, deixando o Skype ligado caso Jake quisesse me chamar. Sentamos na cama e abrimos o livro de matemática para resolver os exercícios, por que notamos que estava foda de continuar estudando aquilo sem saber dirito a matéria.
Na verdade, eu e Justin notamos, por que Chris a sabia.
Amém, Senhor, obrigada por colocar esse garoto inteligente na minha vida!
-Tá, façam a quatro. Aliás, Mel, posso pegar seu livro de inglês? - Ele pediu.
-Tá na terceira gaveta da cômoda.
Tentei resolver os exercícios daquela porca miséria de logaritmo e vi Justin se batendo nisso também. Chris sentou ao meu lado de novo e fez os exercícios no caderno dele, se guiando pelo meu livro de inglês. Quando Justin terminou a conta, eles trocaram, um corrigindo o do outro, e eu sorri.
-Você está com um sorriso bobo na cara. - Justin disse sem tirar os olhos do caderno. Como ele sabia?
-Não é bobo, é fofo. - Chris comentou do mesmo modo. Eles leem minha mente?
-É por que e to feliz. - Informei. Eles me olharam e sorriram.
-Pode nos contar o motivo dessa felicidade toda? - Justin quis saber.
-Na verdade, sim. É que vocês dois são muito fofos juntos.
Eles se olharam e riram.
-Está nos jogando um pra cima do outro, Grace? - Chris perguntou.
-Não. - Nós rimos. - Como amigos. Irmãos. Isso é lindo. Sei lá, é legal, bonito. Fofo.
-Menina que gosta de yaoi é foda.
-Não quero que namorem. - "Aliás, quero namorar vocês, seus bobocas! E.. acho que to começando a gostar do Zayn... perfeito --' "
-Posso pesquisar uma palavra no google, Mel? - Chris pediu.
-Seu google tá aqui. - Justin disse.
-Você não sabe essa. - Ele mostrou qual era.
-Ah tá kk
-Não precisa pedir, Chris. - Sorri.
Ele foi pro meu computador e Justin olhou meu exercício de matemática, se guiando pela correção de Chris no dele.
-Mel.. chamada no Skype. - Chris avisou e eu e Justin o olhamos.
-Jake?
-Sim.
-Aceite.
Saí da cama e virei pra ele, já que estava de costas. Antes de virar, ouvi a voz de meu novo irmão.
-Hey, Melody.
-Hi, Jake.
-Who are they?
-Justin, você vai virar tradutor oficial. - Chris riu
-Acabei aprendendo inglês de tanto falar com ele. - Sorri pra Chris e olhei Jake. - My friends. We're studing.
-Oh, sorry.
-That's not a problem.
-Melody má. - Chris riu. - Brincadeira, isso eu entendo.
-Ele perguntou quem somos nós, ela respondeu que somos amigos e estamos estudando, e ele pediu desculpa. - Justin disse.
-Eu entendi, babaca.
-Witch one is your boyfriend?
Eu corei, e muito.
-I don't have boyfriend.
-They like you.
-Você está vermelha. - Justin me disse rindo.
-Eu? - O olhei. - Vermelha? Eu não!
Os três riram.
-Você vermelha é linda. - Disse Jake.
Chris e Justin o olharam.
-Ah viado, ele fala português! - Chris riu.
-Falo lol
-Ele só tem problema em alguns verbos, mas entende bem. - Informei.
-Quem ser ele? - Jake perguntou.
-Viram? - Eu ri. Apontei Chris. - Esse é o Christian, e esse é o Justin. - Puxei a orelha dele que ainda estava rindo.
-Ai Mel! - Ele não parou de rir.
Ouvimos um barulho de batida na porta. Mas não era da minha.
-Eu já volto. - Disse Jake, se levantando.
-É, ele parece legal. - Chris disse.
-Passou a má impressão? - Quis saber.
-De verdade? Passou.
Justin o olhou e então sorriu, parecendo aliviado. Sorri de volta e abracei os dois.
-Vocês vão me contar o segredinho de vocês.
-Não. - Chris riu.
-Segredos à três, um está morto. - Justin citou.
-Eu morro depois de me contarem. - Eu ri.
-Vai benzer essa tua boca, garota. - Riu, mas não tinha gostado.
-Ui.
Ouvi a cadeira de Jake e olhei o computador. Ele estava sentado me olhando e logo uma garota sentou em seu colo.
-Who's she?
-My new sister. -Os ouvi dizer. Fui até eles.
-Is she your girlfriend? - Perguntei.
-Yes, she is. Melody, this is Kelly. Kelly, Melody.
-Hi.
-Hi, Kelly.
-And they?
Olhei Chris e Justin atrás de mim, eles riam levemente, então os puxei.
-Seus mal-educados, venham falar u.u
-Desculpe. Hi Kelly. - Justin disse.
-Hi, Kelly. - Agora foi Chris.
-They're my friends, Kelly. - Informei. - This is Justin, and he's Christian.
-Hi. - Ela disse. Por que americano fala tão pouco?
Olhei Jake, que sorria.
-Vocês falam muito pouco.
Ele deu de ombros.
-Falamos o necessário.
-Chato.
-Insuportável.
É, já conversávamos à muito tempo e já nos tratávamos como irmãos.
-What language is this?
-Portuguese, my love.
-Is strange.
-For you, baby.
-Ela não curtiu você falar português. - Justin riu.
-Ela gosta de saber mais que o outros. Mas é uma fofa.
-Então o fato de você saber uma língua e ela não a deixa chateada? - Chris quis saber.
-É, mesmo que ela saber Inglês, Italiano, Espanhol e Francês.
-Francês *-------------* - Sorri com os olhos brilhando. Os três riram de mim.
-Boba.
-Besta.
-Idiota.
-E vocês são babacas virgens lol - Eu ri.
-Não sou, não. - Jake me olhou.
-Ui, joga na cara. - Justin riu.
-Quantos anos vocês tem?
-Quinze. - Chris informou.
-Ah, estão jovens. Mas não ano que vem.
-Tá dizendo que perdeu a virgindade com dezesseis? - Perguntei. - E ainda está instigando eles à começar a estuprar garotinhas indefesas que nem você?
Ele riu loucamente.
-Isso.
-Ai, Senhor!!! Lascou!!! Sou garotinha indefesa!!!
-Não, eles não vão estuprar você nem tentando!
-Não mesmo! - Justin disse.
-Não estuprarei ninguém u.u - Chris informou.
-Esse daqui eu afirmo que não. - Apontei Chris. - Ele é muito santo.
-Epa, também sou santo! - Justin reclamou.
-Não, não é.
-Não, Justin, não é. - Chris riu.
-Te entregaram, irmão. - Jake ria do outro lado. Vi que Kelly se distraiu com o celular e não estava mais parecendo brava.
-Aff - Justin riu. - Não sou safado.
-Não???? - Eu e Chris o olhamos. Jake ria tanto que Kelly puxou outra cadeira e sentou nela.
-Sorry, love.
-No problem.
Chris olhou a garota. Justin pareceu entender seus olhos. Eles trocaram um olhar que tinha uma conversa silenciosa, e então deram de ombros.
Jake também pareceu notar e olhou a namorada.
-Kelly, do you want something?
-Hmhm... like what?
-I don't know. What do you want?
Olhei-os e ri. Levantei e fui até a porta, chamando a atenção de Chris e Justin.
-Vocês dois querem água? Ou coca?
-Água, obrigado. - Chris disse. Justin fez um "dois" com os dedos e um "curtir" com a outra mão.
-Besta. - Eu ri e saí.
Quantas vezes já fui chamado de besta hoje? Oito, quinze ou oitocentas e quinze?
Não importa! A Mel está falando comigo de novo! Sabem como fiquei feliz quando ela nos chamou?
Mentira, fiquei nervoso. Muito. Não sabia que ela ia nos abraçar. Mas, nossa, quando ela abraçou.... eu não quis mais soltar.
Não importava quanto tempo ela tinha ficado longe... ela estava de volta.
E eu só tinha um mês pra reconquistá-la.
-Menos. - Chris havia me dito alguns dias antes dela nos chamar. - Niall disse que a mãe dela vai adiantar a viagem.
-Então temos menos de um mês pra fazê-la falar conosco?
-Isso.
Aquilo tinha me quebrado. Tinha menos de um mês com a Mel. Chris teve que enxugar meu rosto, por que eu havia começado à chorar.
Voltando ao presente... Melody saiu do quarto e eu e Chris evitamos olhar a tela do computador. Nem precisávamos olhar pra saber que estavam se beijando, a garota deixava bem claro. E também deixava claro que ele era dela. Ciumenta.
Melody voltou com três copos de água. Logo me levantei pra ajudá-la antes que derrubasse um deles. Peguei dois e dei um à Chris.
-Obrigada. - Ela também não olhou o computador.
-Por nada. E aí, vai mesmo adiantar a viagem? - Perguntei triste e baixo, para Jake e Kelly não ouvirem.
-Sim. - Disse do mesmo modo, sentando-se na cama, suspirando.
-Eu sinto muito. Mas por que?
-Por causa de Luke. Mamãe está morta de medo depois do incêndio...
-Sinto muito não poder ajudar. - Chris disse.
-Tudo bem, eu só...
Parei de ouvir o barulho. Nós três viramos pro computador e Kelly se levantava, indo pra algum lugar dentro da casa. Jake nos olhou.
-Desculpem, ela realmente é bem possessiva. - Pediu.
-Tudo bem, Jake. - Mel sentou na frente do computador de novo com um sorriso. - O que ela foi fazer?
-Escolher um filme no meu quarto pra gente ver depois. - Ele virou ao ouvir um barulho: - e acho que vai fazer pipoca também. - Nos olhou rindo.
-Uau, Jake, ela ama sua casa.
-Meu pai acha que ela não me ama.. - Disse triste.
-Por que? - Perguntei.
Jake suspirou e mostrou uma foto antiga. Era ele pequeno com a mãe e o pai num parque aquático. Ele jogava água na mãe, que parecia gritar feliz, o cabelo louro preso em um coque, os olhos cobertos por óculos escuros. Ela usava um biquíni branco tomara-que-caia e parecia correr de Jake. Ele estava com um calção para praia masculino azul e verde com detalhes brancos e era bem mais magro. Richard, por sua vez, ria na borda da piscina com um copo de água na mão e óculos escuros. O calção dele era vermelho e preto e era só pouco menos musculoso que agora.
-Mamãe morreu quando fiz dez anos... - Ele começou. Melody o interrompeu.
-Jake, não precisa...
-Por favor, não tem problema. - Ela suspirou enquanto ele olhava a foto. - Ela me contava histórias antes de dormir, na verdade para meu pai também. Eu deitava na cama com eles e ficávamos a ouvindo falar. Minha irmã era mais, hã, distante. Ela nunca ficava conosco, apesar de me tratar bem.
"Então ele tinha uma irmã. Isso explica ele amar tanto a Mel quanto parece amá-la... não explica?"
-Jacob.. - Ela tentou de novo.
-Ela tinha dezesseis anos. - Ele a ignorou. Eu sabia que ele ia contar a história toda e, como inicialmente, Chris não confiou nele, prestei bem atenção e não o interrompi, segurando a mão de Mel para que o deixasse contar. - Mamãe foi forçada a tê-la, mas mesmo assim, nunca a odiou. Um dia, especificamente nove de outubro de 2007, elas foram juntas ao salão pra fazer o cabelo para uma festa. À noite, eu e papai as esperávamos lá, mas elas já estavam duas horas atrasadas.
"Papai ligou pro celular de cada uma, que não atenderam." ele continuou. "Começamos à ficar preocupados. Fomos embora da festa e voltamos pra casa, esperando que elas tivessem voltado com uma delas com dor de cabeça e seus celulares sem bateria. Não estavam lá. Ligamos pra nossa avó, depois pro salão... nada. Eu já estava desesperado. Papai ligou a TV pra ver se eu me distraía enquanto ele tentava achá-las. Funcionou. Mas com ele também. A TV abriu no noticiário. Mostrava o salão que elas foram durante a tarde. Perto da noite, ele começou a pegar fogo, e várias pessoas saíam correndo... não vimos minha mãe e minha irmã na TV..."
-Jacob, para.. - Ela lagrimava. Eu e Chris a abraçamos.
Ele suspirou e guardou o porta-retratos.
-Eu nunca falei pra ninguém, Mel. - Ele disse baixo.
Ela o olhou e suspirou enxugando o rosto.
-Tá bom.. continua, então... desculpa...
-Tudo bem. - Ele deu um sorrisinho, mas não havia felicidade nele. - Depois de vermos a notícia, esperamos pelos nomes das pessoas mortas. Como o nome delas não foi dito, esperávamos que tivessem fugido e deixado os celulares lá, talvez ido beber alguma coisa para se acalmar e depois se perdido. Muita ingenuidade, sabemos, mas.. bem, na hora do desespero, a gente inventa desculpa pra tudo. - Ele riu sem humor. - Fomos até o salão. Não podíamos entrar, os bombeiros e policiais haviam fechado o lugar, mas... eu...
-Você entrou? - Chris perguntou.
Jake balançou a cabeça. Eu vi algumas lágrimas escorrendo de seus olhos e me senti mal de ter perguntado por que o pai achava que Kelly não o amava - o que eu não sabia dizer qual era a ligação da morte delas com Kelly, mas ia deixar que ele explicasse.
-Eu vi a minha mãe... E vi a Annabella...
Ficamos tensos. Se elas morreram, como ele as viu?
-Jake... eu não aguento... - Mel tentou soluçando.
-Talvez não... mas quem estava lá não era você... não viu o que eu vi... não viu a Anna e a mamãe encolhidas no chão. A mamãe tava em cima dela. Não tinha mais cabelo. Eu reconheci por causa de uma coisa: o anel de noivado da mamãe e o colar da Anna. Eram de ouro. Não queimaram. Mas elas viraram carvão. Não tinha mais nada delas.
Jake sabia que nós estávamos chocados demais pra falar. Realmente, eu estava. Como uma criança de dez anos vê a mãe e a irmã carbonizadas e não sofre transtornos mentais? Como alguém consegue suportar isso? Eu teria me matado! Sério, teria! Nunca ia conseguir viver sem minha mãe, nunca!
-Tudo que era delas, ele se desfez. - Jake disse olhando a foto. Como ele a tinha, então? - Eu consegui esconder essa foto antes dele queimar as outras. - Ah, tá. - Esse porta-retratos fica comigo. Quando fiz dezesseis anos, pedi de presente que ele não o jogasse fora, mais nada. Ele deixou, por sorte. Um dia eu o vi na sala com uma moça. Era bonita, na verdade o total oposto da minha mãe. Ela era morena, baixa, tinha olhos escuros, cabelo preto e era irritante e exigente. Quando me toquei que meu pai estava saindo com outras mulheres, eu fugi de casa. Só voltei três meses depois. Ele estava com outra mulher, e vi que nos meses que fiquei fora, cada um foi uma também. No outro mês, outra. Sempre uma mulher diferente cada mês. E, todo o fim de mês, ele descobria que ela só queria o dinheiro dele. Então ele tentou ficar com mulheres também ricas. Dava no mesmo. Todas só queriam mais dinheiro. Uma delas ele chegou a ouvir conversando com uma amiga. Ela planejava casar com ele e, depois que ele colocasse o dinheiro como bem para ela também, o mataria.
-Jake, eu sinto muito... - Chris tentou.
-Eu também. Por que agora papai não confia em nenhuma mulher.
-Mas ele confiava na sua mãe. - Indaguei.
-Sim, mas quando eles se conheceram, papai não era rico. E mesmo depois que ele ficou, ela terminou o namoro de três anos com ele por que ele estava insuportável. Bem, palavras dela. E ela não queria voltar mesmo, até que ele provasse que tinha mudado. Ela nunca esteve aqui pelo dinheiro.
Melody pareceu se tocar de algo.
-E a minha mãe? Se ele não confia em nenhuma mulher...
Jake a interrompeu.
-Eles começaram a conversar na internet, num site de games.
-Games? Minha mãe joga?
-Joga. O user do papai é totalmente diferente dele, e até a personalidade dele no jogo, ele fez oposta à dele. Eles começaram à se conhecer brigando. Então papai curtiu discutir com ela. Ele pedir o facebook dela, mas ela só deu um mês depois. Óbvio, ela tinha medo de ser um estuprador, serial killer, sei lá. Eles ficaram conversando um bom tempo, até que o papai pedir ela em namoro.
-Hm... entendi...
Jake suspirou e eu vi uma tristeza diferente em seus olhos, pelo que ele ia falar agora.
-Mel, se não aprova o casamento deles, tente impedir.
Ela o olhou.
-Deixe que sejam felizes. - Chris me olhou. Soube que tinha algo errado. - Afinal, eles merecem. Cada um criou um furacão em casa. - Ela riu um pouco, mas ainda estava abalada.
-É, tem razão. - Ele sorriu. - Espero que goste do seu quarto. Papai já mandou arrumar.
Engoli em seco, mas vi Mel sorrir pra ele.
-Obrigada, Jake. Vocês são demais.
Jake ia dizer algo quando Kelly o chamou e ele suspirou.
-Vai lá, a princesa quer você. - Mel riu.
-Ligo pra você quando der.
-Claro.
-Tchau Mel. Foi um prazer conhecer vocês dois. - Disse.
-O prazer foi nosso, Jake. - Falei e Chris sorriu.
-Nos vemos logo. - Disse Chris.
-Com certeza. - Ele olhou a quase-nova-irmã: - te amo, Mel.
-Te amo, Jake. Até. - Ela respondeu e os dois sorriram. Logo ele desconectou, e Mel fez o mesmo, desligando o Skype.
É, Bieber... ela vai viajar.
Já estava perto do dia da viajem. Minhas malas estavam prontas, e eu estava realmente triste de deixar meus amigos. Pelo menos hoje era a última prova do colégio. Ouvi dizer que os One Direction iam faltar aula hoje pra me ver. Não sabia se era verdade, mas não queria prejudicá-los por minha causa, então mandei uma mensagem para que eles me vissem no shopping às 15h. O meu voo estava vazio, então eu poderia dormir, já que seria à noite. Vesti uma regatinha preta com detalhes em branco, um short jeans branco, pus um salto preto e peguei minha mochila. Deixei dinheiro no bolço junto com o celular. Fiz uma maquiagem legal e saí da casa provisória. Quem estava ali na frente?
Muito bem. Niall.
-Bom dia, flor do dia.
-Essa é velha, gazela.
-Eu sei, idiota. - Ele riu. - Tá linda. Vai fisgar hoje?
-Se eu fisguei você, fisgo qualquer um.
Ele riu feito louco.
-Não sou assim tão fácil, nojenta.
-Vagabundo.
-Chata.
-Vadia.
-Nhaim, mim discubriu - Nós rimos. Ele me acompanhou até a porta da escola.
-Obrigada, Niall.
-Por nada.
-Tchau, até de tarde.
-Opa, pera. - Ele pegou meu pulso:- Cadê meu beijo?
Eu ri e beijei seu rosto. Ele sorriu.
-Até de tarde, insuportável.
-E você me ama. Até. - Entrei. O corredor estava vazio, o que eu achei super estranho. Olhei as salas e elas estavam com vários alunos lá, mas nenhum que eu conheça. Também não vi professores, e eu estava quase atrasada. Como isso?
Procurei a minha sala e entrei. Só quem estava lá eram Luke, Birth, Launt e Jessie, o que fez com que eu saísse em seguida.
-Me pediram pra te entregar isso. - Ouvi e virei. Era Launt, estendendo-me um papel.
-Ok, obrigada. - Tentei não parecer assustada. Ele voltou pra sala sem dizer nada e eu abri o bilhete.
"Quando se está só, a gente come"
O que?
-Que estranho... - Fui ao meu armário pegar um livro pra ler. Caiu outro bilhete.
"Tomou café hoje, Melody? Estou te esperando aqui."
Aqui... onde?
-Ok, alguém quer me fazer comer, isso eu já entendi. Por isso mesmo que eu não vou ao refeitório.
Fui pra minha árvore. Ok, não minha, mas eu gosto de chamá-la assim. Tinha um papel preso nela.
"Você sempre foi teimosa. Eu sabia que não iria seguir minha pequena dica. Então se eu mandar um torpedo você vem?"
-Mas quem é você, idiota?
Recebi um torpedo.
"Mel, vem urgente pra cá."
Era um número que eu não conhecia.
-Ah, tá, vou muito me arriscar --'
Vi uma luz bater em meu olho. Logo ela se apagou e olhei de onde ela vinha. Vi um vulto preto, que saiu correndo.
-Ei! - Fui atrás. - Por que fez isso?
Ele não respondeu, só correu pela escola inteira. Parecia ter bem fôlego, por que eu estava cansada na metade do percurso, e o vulto não parecia arfar. Quando ele chegou na porta do refeitório, eu parei.
-Ah não, não vou entrar!
O vulto me olhou e sorriu. Na verdade, agora que ele estava perto de mim, dava para ver que era realmente um garoto. Ele tinha um capuz preto no rosto e usava casaco de couro fechado.
Ok, apesar dele parecer muito o Chris... Chris nunca usaria esse casaco. E, com o recente cansaço aparente, ele não correria tudo isso.
O garoto fez um certinho com a mão, me encorajando a entrar. Fiz que não novamente, então ele estendeu a mão. Uma voz eletrônica falou:
-Confia em mim?
Espera.. o quê?
-O quê?
-Confia em mim?
Eu... o quê? Só quem falou isso pra mim foram... Justin, Christian e Zayn.
Sacanagem do caralho! Juntar os três garotos mais perfeitos do mundo em um só? Eu morria --'
-Não vejo seu rosto. Não posso confiar em quem não conheço. - Respondi.
Ele riu. Tirou algo do bolço e jogou no chão na minha frente, sabendo que eu não iria até ele. Me abaixei e peguei o papel sem tirar os olhos dele. Abri.
"Melody, deixei um pacote pra você no refeitório da escola. Não pude falar com você de manhã, tive que sair muito cedo, por isso deixei esse bilhete para a diretora lhe entregar. Você vai precisar disso. Beijos, mamãe"
Ok, isso é... muito estranho.
-Tá, quem me garante que minha mãe escreveu isso?
Ele abriu a porta.
-Venha ver.
Olhei dali. Estava escuro lá. Parecia que as janelas foram fechadas e as luzes apagadas. Será que isso era normal assim no último dia? Eu não sabia dizer, nunca vim ao refeitório cedo no primeiro dia de aula.
-Eu não vou entrar.
Uma voz saiu de dentro do refeitório. E essa voz eu conhecia bem.
-Por favor, Mel. Se você não vier.. ele vai.. - Ele parecia assustado.
-O que? Ele quem? O que está acontecendo, Justin?
-Por favor, entra!
Ok, eu estava morrendo de medo, mas quando meus amigos estão em perigo, eu fico pouco me fodendo pra isso. Entrei no refeitório, seguida pelo garoto mascarado. As luzes continuaram apagadas por dois segundos. Então, foram acesas.
-Surpresa, Melody. - Várias vozes gritaram.
-Ah meu D'us!
Quando me toquei e meus olhos se acostumaram com a luz, vi uma mesa cheia de doces e salgados, bebidas, toda decorada com corações e balões com pequenas mensagens. Vi algumas delas. Estavam dizendo "vamos sentir sua falta", "nós te amamos", "venha nos visitar". Meus olhos molharam. Passei os olhos pelo refeitório.
One Direction, Big Time Rush, Cody, Jaden, Justin, Caitlin, Megan, papai, mamãe, Liz, Jeremy, Jazzy, Jaxon, Pattie, Chaz, Ryan, Nolan, Demi, Selena, Miley, Taylor, Miranda, Jasmine... céus!
Abraçaram minha cintura por trás e falaram em meu ouvido:
-Surpresa, teimosa.
Um calafrio percorreu meu corpo, mas eu sorri.
-Então era você me enchendo o saco com a luz?
-Tem outra pessoa de casaco preto? - Ele riu.
-Você é um nojento, Beadles. - Ri também.
-Aproveite. É sua festa de despedida. - Disse triste.
Me virei e o abracei, e então fiz o mesmo com todos. Não queria ir, mas era o que precisava fazer. O anel iria em minha sacola de mão. Seria até bom se fosse roubado, nunca iriam achá-lo.
O dia se passou relativamente rápido, só por que eu estava curtindo. Me fizeram tantas homenagens que perdi a conta. Também, e claro, passei muita vergonha quando cada um contava algo embaraçoso que havíamos feito juntos. Mas tudo correu bem.
De tarde, fomos ao shopping. Não todos, claro. Só os mais próximos. Eu só me lembro de querer todos eles ali e de estar muito feliz.
Mas claro que tinha que ter algo para estragar o dia.
Marchávamos em direção ao cinema quando o celular de Zayn tocou. Ele se afastou um momento para atender. Eu conhecia Zayn. Ele andava abalado esses dias. Niall também sabia. Mas Zayn se recusava a se mostrar abalado.
Mas para Zayn atender o celular no meio de um encontro com a turma, era por que o telefonema era importante. Ele nos fez um sinal para ir andando que eles nos encontraria depois. Ninguém entendia direito a importância da coisa. O pessoal continuou, menos Niall, Harry, Louis e Liam. Zayn os dispensou também, mas Niall não cedeu de modo algum. Eu só me lembro de, quando virei, ver uma lágrima no rosto de Zayn. Acabei parando o grupo por causa disso. Todos viraram pra olhá-lo. Ele não pareceu notar. Saiu do shopping sem dizer nada nem esperar ninguém. Niall correu atrás dele e eu fiz o mesmo. Ninguém sabia onde ele ia - exceto Niall. Por isso, o segui. Notei que todos vieram atrás, mas nem todos conseguiram pegar a visão de Niall. Outros se perderam no caminho.
No final de tudo, eu me encontrava no parque estadual. Me lembrei de uma conversa que tive com Zayn e Niall a, mais ou menos, duas semanas. Corri para o lago e virei a esquerda. Corri por 15 minutos até achar a grande pedra. Zayn estava sentado nela com lágrimas no rosto. Niall escalava pela direita. Fui até eles.
-Zayn... - Arfei, cansada. - O que... aconteceu... ?
Ele me deu um sorrisinho triste. Puxou Niall pra ajudá-lo, e depois, os dois me ergueram na pedra. Sentamos juntos e Zayn abraçou os joelhos.
-Lembra que lhe falei da minha avó? - Quis saber.
-Sim.
-Bom, faz alguns meses que ela estava fazendo radio e quimioterapia. Ela estava com câncer no crânio.
Niall parou.
-Zayn... estava com câncer?
As lágrimas de Zayn voltaram a rolar, com ainda mais intensidade.
-Ela faleceu à duas horas.
O silêncio durou só um minuto com minha surpresa e a de Niall, mas pareceu uma eternidade por causa dos pequenos soluços de Zayn. Ver um cara como ele chorando feito um bebê definitivamente acabava comigo.
-Zayn... Vó Camila..? - Niall disse.
-Ela pegou uma gripe. E, como vocês sabem, esses tratamentos deixam a pessoa muito fraca. Ela não resistiu.
Meu instinto foi abraçar Zayn com força e deixá-lo chorar em meu ombro. Meu celular tocou, o de Niall e também o de Zayn. Ele olhou quem era, mas, vendo que não era família, ignorou.
Quinze minutos depois, continuávamos ali. Ele parou de chorar.
-Terei que ir para os Estados Unidos ajudar tia Virgínia a cuidar da loja. Vó Camila vivia lá, então tia Virgínia nunca cuidou sozinha.
-Mas... Zayn... e sua escola?
-Já estão cuidando para eu ser transferido.
-Mas e sua mãe? - Niall quis saber. - E sua irmã, seu pai...?
-Doniya vai comigo. Alguns dos meus primos estão indo também, mas nem todos podem ir. Estão ocupados, ou não tem dinheiro.
-Para onde você vai? - Perguntei.
Zayn deu um sorrisinho triste de canto.
-Essa parte eu quase consegui curtir. - Ele me olhou:- Pra mesma escola que você.
No dia da viagem da Mel, todos estávamos acabados. Ninguém queria que ela fosse. Fiquei sabendo que Chris passou na casa dela antes de ela vir. Pela boca, eles haviam se beijado. Estavam com os lábios inchados. Mas isso não me abalou. O que me abalou foi que seria o último beijo que eu daria em Melody... talvez até para sempre.
Estávamos perto da sala de embarque a quase quatro horas, pois todos viemos cedo para deixá-la. Ela tentou chegar antes para não ter que ver ninguém e chorar, mas já estávamos todos aqui. Batemos tantas fotos que nossas bocas doíam de sorrir. Fizemos tantas palhaçadas que todos no aeroporto viravam para ver nossos gritos, posições malucas, danças e tudo. Todos os vídeos estavam com Harry e Kendall.
No fim de tudo, descobrimos que Zayn iria também. O desgraçado sortudo ficaria com ela.
Quando estava próximo da hora do embarque, eu e Chris fomos falar com Zayn.
-Cara. - Falei.
-Oi. - Ele parecia desanimado, apesar de estar indo com a minha garota.
-Prometa que vai cuidar dela. - Chris pediu. - Que não vai deixar aqueles estado-unidenses abusarem dela.
-Claro. - Ele tentou sorrir.
-Você tá bem, mano? - Perguntei.
Ele mordeu a boca e vi seus olhos molhados, mas ele sorriu.
-Sim, claro.
Chris me olhou e resolvemos não pressioná-lo.
-Claro.. - Chris disse. Ele estava pálido. - Vamos sentir sua falta, amigão.
-Também vou sentir de vocês, minhas vadias. - Ele sorriu e eu e Chris acabamos por rir um pouco.
-Repense isso, passiva - Eu ri.
-Não - brincou. Niall o chamou e ele se afastou. Então vi Chris se despedindo de Melody novamente. Caitlin já havia chorado tudo o que tinha para chorar e Melody também. As meninas fofocavam e tiravam mais e mais fotos o tempo todo. Eu a chamei.
-Mel.
Ela veio até mim com os olhos inchados e um sorriso afetado no rosto.
-Oi Jus..
Tirei algo que ela não pode ver do bolço.
-Prometa-me que não vai tirar isso do pescoço.
Ela me olhou tipo "o que?". Mostrei-lhe o colar. Era um pequeno coração de ouro, mas não tão pequeno. Era grande o suficiente para o que eu precisava. Ela arquejou.
-Justin...
-Por favor, aceite. Preciso que tenha sempre algo meu que não precise tirar.
-Nunca esqueceria você, Justin.
Sorri, triste.
-Eu sei. - Menti. Passei para trás dela e pus o colar em seu pescoço. Notei que ela estava usando brincos novos. - Belos brincos.
Ela se encolheu um pouco.
-Chris me deu agora de manhã.
Sorri.
-Entendo ele. Combinam com este colar. - E combinavam mesmo. Eram de ouro também, dois pequenos corações. Ela me olhou estranho.
-Vocês combinaram?
Eu ri.
-Óbvio que não. Por que eu daria à você algo parecido com o que já lhe deram se eu soubesse?
Ela sorriu de leve e tocou o colar.
-Obrigada, Justin. De verdade.
Deu a hora de entrar na sala de embarque. Eu a olhei.
-Tem outro meio de você me agradecer.
Ela me olhou estranho. Puxei sua cintura e toquei seu rosto com carinho. Ela não se esquivou. Meu nariz passeou do canto de sua boca ao pescoço até abaixo da orelha. Sussurrei:
-Vou sentir sua falta.
E então a beijei. Ela pegou minha nuca, enterrando os dedos entre meu cabelo. Fiquei louco de vontade de impedi-la. Ela não podia viajar. Precisava desse toque dela, precisava de sua sensibilidade, de suas mãos macias em meu corpo, seus lábios delicados nos meus, seu olhar apaixonado em mim.
Mas não podia impedir. Eu só sei que senti o gosto salgado das lágrimas dela na boca. Não me separei por isso. Ela me permitiu a passagem da língua. Entrei com fervor, querendo que fosse o melhor beijo de sua vida para que ela nunca esquecesse. Meu corpo aqueceu. Senti-me flutuando, nas nuvens, segurando suas mãos. Seu sorriso e seus olhos brilhavam como o sol.
Ouvimos alguém chorando e isso nos trouxe de volta à dura realidade. Ela se afastou um pouco, mas eu não podia deixar acabar assim tão rápido. Mordisquei seu lábio e senti que ela amoleceu em meus braços, o que me deixou contente.
-Mel...
-Justin.. eu preciso... - Ela suspirou quando beijei seu pescoço e mordi sua orelha.
-Ir... - Sussurrei logo abaixo de sua orelha. Ela estremeceu. Meu ego subiu. Não sabia que causava esse efeito nela. - Eu sei... eu só... não podia deixar você ir sem isso.
-O melhor beijo de toda minha vida? É, creio que sim. - Disse baixo. Meu coração sambou no peito. Eu havia conseguido. Ela acabara de admitir: o melhor beijo da vida dela. Isso que eu queria dar à ela. Senti uma festa de elefantes e dinossauros pulando corda em meu peito.
-Fico feliz que tenha sido um beijo meu. - Selei novamente nossos lábios, mas por poucos instantes. Logo nos separamos e Zayn pegou a bagagem de mão dela. Ele quem estava chorando. Niall também tinha os olhos inchados.
Ok, sem nomes. Mais fácil dizer: todos ali estavam com os olhos inchados.
Melody beijou meu rosto e me ofereceu um sorrisinho. Ela se virou para ir e eu toquei onde ela beijou.
Água.
As lágrimas no beijo eram minhas!
Tive que tomar coragem. Antes de ela passar, peguei seu pulso de novo e a virei pra mim.
-Preciso te dizer uma coisa antes de você ir.
Ela pediu que Zayn fosse que ela já estava indo.
-Sim?
Inspirei. Olhei o teto e mordi o lábio. Então colei minha testa à dela.
-Mel.. eu.. - Senti muitos olhos sobre nós, mas ignorei. Tomei coragem e falei:- eu amo você.
Lhe dei um selinho demorado e me afastei. A surpresa no rosto dela era quase engraçada, se não fosse por que o momento era triste.
Zayn pegou a mão dela com delicadeza e a levou para dentro. Uma hora depois, todos vimos o avião partir com minha amada.
Talvez para nunca mais voltar.
Isso era ridículo! Sempre que eu me aproximava da Mel, algo acontecia e a mantinha longe!
Era assim comigo.
Meu amor é como uma estrela.
Hey, girls. Hoje tive inspiração suficiente pra vir terminar a temporada para vocês. Sinto muito por toda a demora... não sei quando voltarei a escrever. Não tenham tantas esperanças. A vida está muito difícil do meu lado da tela. Mas continuo amando vocês.
Mostrando postagens com marcador My Love Is Like A Star. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador My Love Is Like A Star. Mostrar todas as postagens
1 de jun. de 2014
17 de dez. de 2013
My Love Is Like A Star 49
Por volta de 11h o vento parou. Estava ficando muito quente lá. Desliguei a TV da sala e estava na metade da escadaria quando alguém bateu na porta. Desci devagar.
-Já estou indo. - Gritei. Peguei um roupão - já que ainda estava de pijama - e o vesti.
Fui até a porta enquanto ainda amarrava-o em minha cintura. Quando terminei, olhei pelo olho mágico. Abri somente 1/4 da porta.
-O-o que faz aqui?
-Estou magoado. Achei que você receberia seu ex-namorado mais feliz.
-Nós praticamente...
-Vamos, Mel. A vida segue em frente - Ele sorriu. Foi o sorriso sarcástico que sempre me derreti. - Seja educada e me deixe entrar.
Fiquei espantada com a cordialidade dele. Estava realmente sendo o Luke que gostei. Meu Luke. Lucian Santos de Fátima. Abri a porta e ele entrou, fechando-a com o pé. E, então, me abraçou.
-Estava com saudade de você, Mel.
-Pensei que estava no curso.
Ele se afastou, mas não me soltou.
-Não. Muito chato. Pensei em ficar as férias em casa, desta vez.
-Quase todo mundo...
-Jura?
-É. Quase todas as pessoas da nossa série não foram.
-Selena?
-Não.
-Demi?
-Não.
-Miley?
-Também não.
-Nem os Big Time Rush? Eles adoram aquele lugar!
-Também não foram.
-Céus, e quem foi?
-Chris e Justin. E, talvez, algumas pessoas da turma B.
-Meu D'us. E por que a banda não foi?
-Estão compondo. Treinando.
-Ah. Eles não precisam, são bons.
-Eles nunca tocaram em público.
-Oh, não contaram pra você?
-O quê?
-Vamos pro seu quarto, vou te mostrar.
Ele pegou minha mão e me levou ao meu quarto, também fechando a porta. Estava nervosa, mas fiquei atrás dele quando ligou meu computador e foi ao youtube.
-Veja só. - Me mostrou, clicando em um vídeo. - Aqui estão eles.
Abriu o vídeo e o passou.
-Meu... D'us... - Fiquei surpresa. E triste. Eles realmente não haviam me contado.
-Bons, não? - Perguntou.
-Sim... incríveis.
Luke levantou e virou pra mim, mas lentamente, como se estivesse cansado. Apoiou-se na bancada.
-Então, o que faz da vida agora, Mel?
-Descanso e estudo. Saio pra me divertir nas férias. Opa, hoje.
-Oh. - Ele pareceu triste e ao mesmo tempo zombeteiro. - Vai sair mais tarde?
-Sim.
-Com o pé torcido?
Como ele notou que meu pé estava torcido? Estou andando sem fazer nem uma careta, apesar de sentir dor.
-Como você...?
-Eu estava lá ontem com sua irmã quando você caiu.
-Luke...
-Não estou te perseguindo. Poxa, Mel, acredite em mim uma vez.
Virei de costas pra ele.
-Já acreditei. E me arrependo até hoje.
-Mel... - Ele me virou de volta e ficou segurando meus pulsos. - Não fala assim. Pedi desculpa bilhões de vezes e pedirei mais bilhões se precisar. Poxa, eu te amo. Eu quero te fazer feliz. Me dá mais uma chance.
-Ai. - Ele ficou confuso, então olhei minhas mãos. Ele me soltou, ainda confuso. - Desculpe. É que...
Ele pegou meu braço pra olhar, mas sem me machucar desta vez.
-Você... se cortou...
-Já faz tempo. Mas ainda machuca um pouco.
-Isso foi por minha culpa? - Estava notavelmente abalado.
-Em parte... mas teve mais. No tempo, foi difícil. Mas estou bem.
-Não posso crer que fez isso.
-Me desculpe, Luke. Eu sei que eu prometi pra você... Na verdade na hora nem me lembrei. Não conseguia pensar em nada além de me cortar, da dor que eu estava sentindo... Me desculpe. Mesmo.
Ele me abraçou, enterrando meu rosto em seu pescoço. Não era mal abraçá-lo, era? Passei meus braços por sua cintura até prender meus dedos uns nos outros. Mas senti algo duro na bainha pela parte de trás e voltei a mão. Ele me impediu, segurando meu braço.
-Melhor não pegar nisto. Não vai gostar.
-O que é?
Ele suspirou.
-Uma arma. - Surpresa, o soltei, dando alguns passos pra trás. - Fale sério, se eu fosse matar você, acha que teria contado que estou armado? - Parei de me mover, mas deixei claro em meus olhos que se ele se movesse, eu correria. Ele suspirou. - Estou sendo perseguido por algumas pessoas. Algumas más, outras piores. Preciso disto para me proteger.
-Que pessoas?
-Gangues de bandidos que usei e não paguei. Algumas vadias que o Launt quis, apesar de - desculpe dizer - sua irmã fazer esse papel. - Brith nunca me tratou bem, mas fiquei furiosa com ele. - Palavras de Launt. Sou virgem. - Isso me deixou mais calma. - E a polícia. Você sabe por que.
-Sei. Mas seu pai é policial.
-Ele disse que fugi e que não tem nenhum contato comigo, apesar de nos vermos semanalmente.
-Isso é perigoso pra ele.
-E pra mim.
-Você, se for encontrado, vai pegar pena para menores de idade. Ele não.
Uma sombra de alguma coisa - dúvida? - passou por seu rosto, mas logo sumiu.
-Papai é muito bom. Não vai acontecer nada com ele.
-Que assim seja. - Suspirei, com os braços abraçando à mim mesma. - Bem, ainda não me respondeu o que veio fazer aqui.
-Sim, respondi. Estava com saudades e vim lhe ver.
-Uhum. - Não acreditei. Ele suspirou e sentou na minha cama.
-Vim te chamar pra ir comigo...
-O que?
-Ir comigo. Brith disse que vocês brigam, mas ela se importa com você. Quer que vá conosco. Disse que se ficar, vai ser ruim pra você.
-O que estão armando?
-Não posso dizer se não concordar em vir... Mas precisamos de você, Mel. Eu preciso de você. Quero você à salvo. Venha comigo, por favor.
-Sinto muito, mas não.
Ele apertou a cama, suspirando.
-É, eu tentei. Brith disse pra te levar à força, mas não sou capaz psicologicamente de te obrigar à fazer algo assim.
-Só psicologicamente?
-Olhando meu corpo você sabe que fisicamente eu posso.
Parando para notar: sim, Luke estava mais musculoso, tanto que chegava à ter músculos do tamanho dos de Justin.
ESQUEÇA JUSTIN!
Notei-o olhando meu rosto enquanto o analisava. Ele estava sorrindo de canto, como se soubesse o que eu estava pensando.
E eu pensava que ele estava muito gostoso.
-Venha aqui, Mel.
Escondendo o ligeiro espanto que me veio quando ele me chamou, fui até ele, que pegou minha mão e colocou em seu braço. Sem olhar em meus olhos, passeou com ela até o ombro e de volta ao local inicial - e, devo admitir, que perfeito! O braço estava duro, bem duro, como se malhasse por 5 horas por dia. Apertei seus músculos e ele não comentou nada, só me olhava. Não sorria nem desaprovava, nada. Parecia... apreciar.
-Você... hum... tá malhando. - Comentei, sem graça.
-Muito. Estou todo dolorido à dois meses.
-Desculpe. - Tirei a mão dele.
-Tudo bem, o costume não me deixa notar.
-Não quero te machucar.
-Não está.
Ele chegou perto de mim. Sentia seu hálito de menta, mas não conseguia me afastar. Parecia presa ao chão, como se tivessem passado cola em meus pés. Ele pegou meu rosto delicadamente.
-Mel... eu...
-Luke, não... - Coloquei minhas mãos sobre as dele, mas, antes de fazermos qualquer coisa, ouvimos o barulho de algo quebrando lá em baixo, fazendo-nos nos separarmos rapidamente. - O que...?
Ele me soltou sem dizer nada e foi descendo as escadas, com a mão no cós da calça, pronto para pegar a arma. Não achei que era para tanto, mas fui atrás, cautelosa.
Antes de chegar ao pé da escada ouvi um tiro. Parei abruptamente, esperando Luke voltar.
Mas não voltou.
-Luke? - Chamei. Nenhuma resposta.
Fui até a cozinha, onde só tive dois segundos para notar tudo: um homem mascarado com uma faca ensanguentada, Luke caído no chão, o rosto se esfolando nas lajotas do piso, sangue rodeando seu corpo, copos quebrados. Foi nessa hora que saí correndo, depois, claro, de gritar. Ouvi o assaltante correr atrás de mim. Subi e me tranquei no meu quarto.
-Ai meu pai do céu... - Olhei o quarto, procurando algo que conseguisse machucá-lo. Ok, haviam várias coisas, mas será que eu conseguiria machucá-lo?
Vi meu telefone na bancada.
-Zayn. - Foi a primeira pessoa que me veio à cabeça. Peguei meu celular e liguei pra ele. -Alô?
Ele deve ter notado o pânico em minha voz, pois ouvi-o deixar cair vários papéis e arrastar a cadeira.
-O que houve? Algum problema?
Ouvi Niall atrás dizendo "O que foi? É a Mel?"
-Sim. preciso de ajuda. Luke veio aqui em casa e...
-Ele te atacou?
-Não, mas um assaltante o atacou. Acho que Luke está... - Engoli em seco com as lágrimas que me vinham. Não conseguiria dizer morto.
-Eu estou indo aí. Chame a ambulância.
-ABRA A PORTA, GAROTINHA\! - O assaltante bateu nela com força e eu gritei.
-VÁ EMBORA! - Gritei para ele. Ouvia vagamente Zayn do outro lado da linha gritando "Mel, fuja, saia daí!". Desliguei a ligação e coloquei o telefone no bolço, olhando o quarto.
A janela.
Abri-a como se estivesse realmente fugindo, deixando o quarto ligeiramente bagunçado.
"Ele vai achar que fugi e vai atrás de mim." Pensei.
-ABRA, MENINA!
-ADIOS! -Gritei, e fiz um barulho para fingir que pulei da janela. Cautelosamente, mesmo assustada com suas fortes batidas na porta, fui para baixo da cama, bem no canto e encolhida.
Ouvi um chute fortíssimo e a porta foi arrancada das dobradiças. Quase bati a cabeça na cama com o susto, mas me forcei à não fazer barulho nem para respirar, ou seja, respirei pela boca e bem devagar.
-Melody! - Ouvi o sotaque. Era norte-americano.
Recostei-me no mais fundo possível do esconderijo. Estava suando frio. Minhas veias pulsavam.
Vi seus pés rodarem todo o quarto. Estranho, suas botas quase não faziam barulho. Ele saiu do quarto e voltou depois de 30 minutos.
-Barra limpa. Ela realmente saiu. - Ele disse. Logo um mascarado mais magro e menos forte aparece ao seu lado.
-Procure onde quer que esteja.
-Na gaveta de jóias?
-Seria óbvio demais por um anel lá. Mas talvez ela não saiba a importância dele. Procure.
-Ok. Hum.. Luke? - Me espantei e quase deixei escapar um grunhido.
-Que é?
-Por que quer tanto o tal anel?
-Você não me ouviu falar com a sua namorada?
-Brith não me disse nada...
-O anel é uma chave. Existe hoje, no condade de Berkishire, na cidade de Windsor, na Inglaterra, um palácio que forma um quase anel e fazia parte do anel de Castelos defensores da Inglaterra. Há relatos que em uma das alas do palácio existe uma grande fortuna escondida por um dos reis que viveu lá.
-E você acha que a família real não sabe disso?
-Tenho certeza. Papai mandou alguém lá há anos. Virou conselheiro de confiança da rainha. Ele perguntou debilmente sobre isso, e ela disse que nunca ouviu falar. Continuando, no palácio, há um cofre reluzente em ouro, mas bem escondido. Os relatos dizem que só pode ser aberto pelo anel de Dom João II. Não sabemos ainda o que ele tem haver com isso. Achamos que roubaram o anel dele como prova de que eram melhores e então o fizeram a abertura do cofre compatível.
-Não podemos usar qualquer anel?
-Não. O Anel de Dom João tinha algo gravado em seu interior. Precisa disso para abrir o cofre.
-Gravemos em outro anel. - Disse, virando minha gaveta.
-Não se sabe o que tem escrito, Launt. Ah, me lembrei de uma coisa.
-O que?
-Brigar com você. Poxa, eu estava quase beijando a Mel!
-Você marcou esse horário. Se você foi lerdo demais e demorou de beijá-la, a culpa não é minha.
-Calado.
-Você não aceita o erro ser seu, não é mesmo?
Luke puxou uma arma e apontou pra ele.
-É bom ficar calado, irmãozinho. Você foi para aquela escola para me conhecer. Seu destino como ladrão foi criado antes de saberem que nossa mãe estava grávida. Você foi mandado para morar com os Lautner por que eles são uma família de pessoas inteligentes e bem-dotadas. Era para ter saído de lá mais inteligente que eu. Como não foi assim, papai disse que quem manda sou eu. Agora... - Ele foi ao banheiro do meu quarto, e ouvi sua voz de lá. - Procure em todos os cantos.
Launt urrou baixo, mas continuou o trabalho.
-Launt?
-Hum?
-Por que não cuida de nossa espiã, e eu procuro o anel?
Meu coração acelerou. Como ele sabia que eu estava ali?
-Você...?
-Claro que sabia. Ela não é burra. - Ele saiu do banheiro e se virou para a porta do meu quarto. - Certo, Brithany?
-Caralhoo hahahahaha
-Porra, não faz, velho! Ai!
-Já chega, vocês dois. - Falei, quando Ryan e Chaz brigavam na frente da casa de Chris. De braços cruzados e encostado na parede ao lado da porta, eu os via se batendo desde que chegamos. - Vocês são tão infantis.
-Calado, Bieber. - Ryan mandou.
-Vocês três são. - Chris disse, saindo da casa. Parecia cansado. - Agora vamos logo. Ainda temos que comprar os ingressos.
Olhei-o de cima à baixo. Cansado, pálido, com olheiras grandes.
-Está doente, Beadles? - Perguntei.
-Só um pouco gripado. Nada de mais.
E saiu andando. Fui atrás dele, mas parei e olhei para trás. Na janela de Cait, ela nos olhava, quase escondida. Ao me ver olhando-a, saiu de lá.
Mas não antes que eu notasse seu rosto molhado por lágrimas.
Estávamos à caminho do shopping quando alguém correndo grita "sai da frente" mas eu olho para trás ao invés de sair, então bate em mim e me derruba, caindo por cima de mim.
-Caralho! - Falei. - Olhe por onde and... Zayn?
-Bieber?
-Mas o que...?
-Foda-se! Vamos, Niall, rápido!
Niall vinha correndo mais atrás.
-Ela não responde! Vai, eu te vejo lá.
-Falou! - Zayn disparou pela rua. Em 15 segundos tinha virado a esquina.
-Nialler?
-Oi? - Ele parou. - Desculpe Zayn ter te derrubado. - Ele me ofereceu a mão e me ajudou à levantar. - Estamos com pressa.
-Então por que não o segue?
-Zayn se vira sozinho. Mas, mesmo assim, vou indo. Talvez contemos pra vocês depois. Até breve. - Ele disparou também.
Chris me olhou.
-Não gostei. É com a Mel!
-O que? Como você...?
-Tive pesadelo com ela hoje. Já tinha um mau pressentimento. Mas Zayn correndo assim com Niall na direção da casa dela... Zayn é apaixonado por ela. Há algum problema. Devíamos...
-Caras, não quero acabar com vocês - Disse Chaz -, mas, se ela chamou o Zayn e não vocês, é por que não quer vê-los. E, acreditem, não passem na frente de uma garota que não quer ver você. É doloroso.
-Mas Chaz.. - Tentei.
-Ele tem razão, Bieber. - Ryan me cortou. - Vai ser pior. Espere ela voltar à falar com vocês.
-Mas a Mel...
-Zayn e Niall cuidam dela, Bieber. No momento, você tem um homem-aranha mutante pra ver.
Ela entrou no quarto com um sorrisinho sínico.
-Santos.
-Grace.
-Você a deixou ouvir o plano.
-Sei disso. Exatamente.
-Então deve levá-la.
-Não será preciso. Ela não vai contar. Por que, se contar...
-Ela sabe quem vai morrer...
-... não é, Melody?
Arfei com o susto. A cama foi levantada e eu fui arrancada de lá com um grito arranhando minha garganta. Me vi sendo segurada por Luke e Birth me encarava, olhando feio.
-Acredito, irmãzinha, que você já saiba o que queremos.
-Um anel. Mas não sei qual. Tenho tantos...
-Sim, sabe.
-Mas eu nunca...
-Sabe, sim. - Ela riu, maligna. - Você se lembra por que Justin foi separado de nós a infância?
-Uh?
Lembrei-me de Birth tomando meu lugar e partindo sua felicidade. Justin era só uma criança. Mamãe nos tirou de lá. Um mês depois, ela e papai se separaram. Então, Brith foi com papai, e eu com mamãe. Um colar me foi dado com um pingente em forma de anel.
"-Nunca perca este anel, Melody. - Mamãe havia me dito. - Prometa-me.
-Sim, mamãe. - Eu havia dito".
-L-lembro... você foi falar com ele no meu lugar, e ele ficou magoado. Nossos pais nos tiraram de lá e então...
-Papai e mamãe se amam, Melody. Ele se casou com Liz para esconder você. Uma mulher solteira normalmente não deixa legados como este anel. Casou-se com a irmã para parecer que o anel foi dado à mim.
-I-irmã?
-Lizzie é irmã do papai. Só você e Megan não sabem disso na família. Agora, só a Meg. Ela deveria ser a herdeira do anel, mas ele já foi dado à você. Escondido. Já sabe. precisamos dele.
-Eu realmente não sei do que...
-Launt. - Ela me interrompeu. - Leve-a para fora.
-Brith, quem manda aqui sou eu. - Disse Luke.
-Não, Luke, não é. O anel pertence à minha família.
-Então por que você quem manda? - Perguntei.
-Se você não percebeu, você não sabe de nada, e nem quer saber. Agora... dê-me o anel.
-Não sei qual é.
-Está aqui em algum lugar. Dê-me o anel.
-EU NÃO SEI QUAL É!
Levei um tapa na cara.
-Não grite comigo.
-Você disse que ela não ia se machucar, Brithany! - Luke falou com raiva.
Olhei-o, virando a cabeça para trás. Ele estava metido nisso, mas estava me protegendo?
-Disse que ela não ia se machucar se ela cooperasse. Ela não está cooperando.
-Mas ela não lembra onde deixou o anel! Dê-lhe um tempo pra pensar!
Ela chegou tão perto dele que sua orelha ficou na minha.
-Isso é amor, Lucian?
Luke ficou tenso.
-Eu...
-Ora, ora, ora. Lucian Santos realmente ama minha irmãzinha. Quem diria. No que uma encenação pode dar, hã?
-Encenação? - Perguntei.
-Brithany... - Luke quase implorava com os olhos.
-Ah, tudo bem. - Suspirou. - Mas ela vai conosco.
Notei uma luz no olho de Launt. Pelo visto, Luke notou também, pois o fitou.
-Isso é...
-AAAAAAAAAAAHHH!!! - Ouvi o grito e logo depois Luke me soltou, caindo no chão.
Apoiei-me nos braços para levantar e vi Zayn com um cano nas mãos. Ele havia nocauteado Luke, e estava brigando com Launt, que havia sacado uma faca e lutava contra ele.
Me senti ser levantada pelos cabelos e gritei. Isso distraiu Zayn e Launt deu uma facada em seu rosto, mas nada que o matasse. Foi só um arranhão, já que ele desviou, mesmo que tardiamente.
Brith estava me levando. Tentei lutar, mas ela colocou uma faca em meu pescoço.
-Me solta, Brith! - Gritei.
Ouvi alguém cair no chão e olhei o máximo que pude para trás.
Gritei.
-ZAAAYYYN!!!!
Ele não se moveu. Launt riu e veio atrás de nós.
-Fracote.
-Muito bem, amor. Vamos.
Ela me forçava à descer em meio aos meus gritos. Então, Launt caiu, depois de um som bem alto. Brith virou pra trás comigo, o som veio de novo, e ela caiu. Então eu o vi.
Zayn, com vários cortes, sangrando em vários lugares, segurando uma panela - especificamente uma frigideira. Arfava pelo esforço da luta, e estava suado, mas parou e me olhou.
-Você está bem?
O abracei com força.
-Zayn!!! Eu o vi cair... eu... eu pensei...
-Ele não teria coragem. Taylor é medroso.
Quase ri.
-Quem é Taylor?
-Você o conhece como Launt. O nome de verdade é Taylor Lautner. Fez academia comigo quando éramos pequenos, então ele saiu. Éramos até amigos... nunca pensei que ele pudesse fazer algo desse tipo, e que fosse preciso eu nocauteá-lo...
-Sinto muito.
-Eu quem sinto. - Ele se separou de mim, mas não soltou meus braços. - Está bem? Ela machucou você?
-Só um pouco... nada de mais.
Então, nesse momento, lembrei-me de que anel eles estavam falando.
-Oh, o anel! - Corri para cima e Zayn veio junto.
-Que anel?
-Eles estavam atrás de um anel - Resumi a história para ele. - Agora sei qual é... mas não sei onde está.
-O que houve aqui? - Niall chegou.
Resumi novamente e descrevi o anel. Era de ouro puro com um diamante pequeno no meio. Dentro, havia algo gravado em espanhol - Las reglas ricas sobre los pobres enfermos. O rico governa o pobre doente.
-Nossa. - Niall disse.
-É, e agora eu tenho que achá-lo e tirá-lo daqui.
Ouvi um grito lá em baixo e desci correndo.
-MÃE? MÃE, TUDO BEM?
Na cozinha, minha mãe estava paralisada com uma arma na cabeça.
Provavelmente era Jessica!
-Melody... saia daqui.
Zayn e Niall vieram atrás de mim.
-Essa seria a Jessica? - Niall perguntou.
-Provavelmente.
-Conhece-a, Mel? - Mamãe perguntou.
-Jessica, Luke, Launt e Brith... mamãe.. estão atrás do anel que me deu!
Ela ficou pasma.
-O anel? Mas.. como eles...?
-Depois eu explico. Jessie, Luke, Launt e Brith estão desmaiados ali atrás. Avisei que não sei onde deixei o anel, mas eles não acreditaram. Por favor, vá embora.
Ela riu.
-Se eles lhe contaram isso... contaram que temos um refém, não disseram?
Parei. Esqueci-me completamente.
-Oh céus! Quem vocês...?
-Hahaha. Acha mesmo que eu vou dizer? Querida, saiba que é alguém que você ama. Quer a pessoa de volta? Dê-nos o anel.
-Mas eu não sei onde está! - Eu já chorava.
-Procure. Quero-o em minhas mãos hoje.
-Mas Jessie...
-Agora! - Ela destravou a arma na cabeça de minha mãe. Virei para trás e vi Zayn e Niall analisando a situação por inteira. "Eles vão conseguir... sei que vão". Subi com eles atrás de mim, seguidos de mamãe e Jessica.
-Vocês dois, sentados na cama. - Ela disse pra Zayn e Niall. Eles o fizeram. Estavam tensos, olhando tudo em volta. Sabia que cada um tentava formular um plano. Mas qual?
Zayn pareceu brilhar neste momento.
-Mel?
-Oi?
-Você não tava com ele no shopping semana passada? O anel que você descreveu?
Olhei-o. Niall pulou.
-Verdade! Ela disse que ia guardar no cofre do porão.
-Não, ela disse que ia guardar no banheiro da mãe dela!
-Porão!
-Banheiro!
Jessica ficou impaciente.
-Vão logo aos dois lugares e tragam o anel!
Zayn e Niall saíram do quarto. Entendi! Eles a tiraram de lá.
Peguei o cano que Zayn estava usando e fui atrás, com as mãos escondidas. Chegando perto suficiente, bati em sua cabeça com força. Ela caiu, soltando minha mãe.
Zayn veio até mim, sorrindo.
-Boa, Mel! - Ele me abraçou. Aí deixei caírem as lágrimas.
-Zayn... eu... ela...
Niall se abaixou e checou o pulso de Jessica.
-Está viva. Fique calma. Não foi forte para matá-la. - Ele pegou o meu braço. - Já você, se não se acalmar, vai desmaiar. Vamos, Zayn. - Ele ajudou minha mãe à se mover, já que estava paralisada, e saiu do quarto. Virei ara Zayn.
-Temos que tirar o anel daqui.
-Sabe onde o deixou?
-Não.
-Tudo bem, vamos procurá-lo.
Voltamos ao meu quarto e ficamos uma hora lá até eu cansar e me jogar na cama.
-Zayn, eu não sei onde pode estar.
Ouvi um barulho.
-Temos que sair. Eles podem acordar. - Zayn disse. Ele viu uma foto minha e a pegou. Olhou-a atrás, mas a colocou de volta. - Você tem que ir pra casa do seu pai de novo.
-É um abuso dele...
-É... é só até o fim do ano... - Disse, já triste de novo.
-Luke sabe onde é.
-Mas sabe que o anel não está lá. Está aqui. Em algum lugar. Você também sabe disso. Todos nós. Mas do que adianta arriscar sua vida? Ou de sua mãe?
-Mas eles vão assaltar um lugar...
-Só se acharem o anel. Se nem você sabe onde está, imagine eles. Vamos embora. - Ele olhou para trás. - Pela janela. Estão se mexendo.
Ele olhou o tal quadro de novo e o pegou, vindo até mim.
-Vá. Rápido.
Assenti e pulei a janela. Ele logo fez o mesmo. Niall estava acalmando minha mãe na calçada.
-Vamos embora. - Falei.
Eles não fizeram perguntas, só correram atrás de mim e Zayn.
-Zayn?
-Oi?
-Não posso ficar na casa do papai! Brith mora lá!
-Oh merda, eu esqueci! Ah... bem, calma. Vou pensar em algo!
Ouvimos um barulho alto e viramos para trás.
-Meu D'us! - Gritei e caí. Mamãe caiu também.
Minha casa. Minha casa estava em chamas e explodindo em vários cantos. Meu abalo emocional foi tão grande que não conseguia mais correr. De jeito nenhum. Meus joelhos tremiam, meu rosto estava molhado, assim como minha mãe. Zayn e Niall estavam tão perplexos quanto nós, mas a casa não era deles. Eu não sabia dizer o pavor que sentia, a raiva, tudo!
Uma multidão se formava aos arredores da casa. Notei pelo canto do olho Zayn guardar o tal quadro na bolça de minha mãe, mas não consegui formular qualquer pensamento. Viaturas e bombeiras chegavam ao local. O fogo foi reduzido à nada em 30 minutos. Minha casa era praticamente cinzas. Tinha certeza de que, se pisasse na escadinha da porta, tudo desmoronaria.
Um policial veio até nós e eu gritei.
-Calma, Mel. É um policial. - Niall disse.
-É o pai dele! É o pai dele, tirem-no daqui! - Eu gritava. O sr. Santos me olhava estranho, mas como se me compreendesse. - TIREM-NO DAQUI! É TUDO CULPA DELE!
-Mel, por favor. Ei, calma. - Zayn tentava me acalmar. Quando viu que não daria certo, falou com o policial: - Desculpe. Pode pedir pra outra pessoa falar com ela?
-Não! - Gritei. - Ninguém!
Zayn suspirou.
-Em 30 minutos?
O sr. Santos não disse nada, só assentiu e saiu dali. Minha mãe chegou perto de mim e eu resumi tudo o que havia acontecido. De novo. E provavelmente ainda ia resumir mais umas 500 vezes. Os médicos vieram ver se não sofremos nada, e felizmente, não havíamos.
Em 30 minutos, eu continuava atônita. Um outro policial chegou neste momento.
-Sinto muito, sra. Grace. - Ele falou com minha mãe. - Venham conosco, por favor.
Tentei levantar, mas Niall teve que me ajudar. Mamãe, sendo mais pesada, precisou de Zayn e do policial. Entramos em uma viatura. Na delegacia, nos foi oferecido café.
-Por favor, contem-me o que houve. - Pediu o policial.
-A tia Grace não estava lá. Nenhum de nós. - Zayn disse. - Mas a Mel já contou o que houve.
Então ele falou exatamente tudo o que eu havia dito.
Mas eu não disse à ele que haviam reféns.
-Zayn... Luke disse... que haviam reféns. Ele disse que se eu contasse, iam morrer.
-Disse quem eram? - O tira perguntou. Engoli em seco.
-Não. Mas disse que eu o amava muito. Ou ela, sei lá. Não especificou.
-Vamos ajudar. Mais alguma coisa?
Resolvi não falar sobre o anel, já que Zayn não o havia mencionado.
-Não... Nada.
-Tudo bem.. Bom, vocês tem algum lugar pra ficar?
-Bem, a casa do meu ex-marido... - Mamãe começou, mas eu logo vetei.
-Não!!! A Brith mora lá! Ela também tava lá em casa, e, pelo que vi, ela quem comanda tudo! Não vou, nem morta, morar com ela!
-É só até o fim do ano, querida.
-Não vou!
-Calma, tudo bem. - Disse o policial. - Podemos achar algo temporário pra vocês, mas... - Alguém entrou na sala e o policial se calou.
-Bom dia. -Disse. - A casa foi avaliada. Tinham muitas coisas de valor lá. Algumas - ele colocou uma caixa de anéis e colares de ouro e prata na mesa - foram recuperadas. Basta limpar um pouco. O resto foi avaliado em 100 mil.
Olhei minha mãe: era pouco, mas teria que servir.
-Mandamos olharem algumas casas que estejam livres. Há uma dois quartos em aluguel até o ano que vem. Podemos fazer contato. - Disse o detetive, que entrou atrás.
-Bem, vamos levá-las para ver.
Sem comentários, fomos levadas para lá. A casa era bonita, realmente. Simples, mas bonita. Não tinha dois andares como a minha, mas era grande, com uma sala enorme e uma TV de umas 40 polegadas, carpete suíço, janelas de vidro verde, cozinha branca de mármore, quartos razoavelmente grandes, dois banheiros e um quintal bem menor que o nosso, mas ótimo.
-Melody... - Ouvi minha mãe e virei pra ela.
-Sim?
-Vamos adiantar sua viagem. Você irá antes de mim.
Parei.
-O-o que?
-Vou adiantar sua viagem. Sei que você não gosta da ideia, mas com certeza eles vão entender. E você terá Jake ao seu lado. Sei que você o achou legal.
-Mas mãe... você me prometeu que eu ficaria até o fim do ano.
-Filha, eu queria... mas você tem que sair desse perigo.. -Ela me olhou significativamente, como que dizendo "e tirar o anel daqui".
-Mãe, o que tem de tão importante nesse...-Ela tapou minha boca.
-Nada. - Olhou os policiais falando com Zayn e Niall na porta. - Não tem nada.
Ouvi Zayn falando como eram as meninas. Olhei minha mãe.
-Você vai me contar depois.
-Melody, eu não...
-Vai me contar depois. Ou eu não volto pra casa nunca mais.
Ela ficou paralisada, mas não desfiz minha pose. Agradeci mentalmente a Zayn por vir falar comigo antes que ela pudesse se pronunciar.
-Você está melhor?
-Melhor?
-Bem, sei que bem você não está. - Deu um sorriso triste. - Mas pode melhorar, não pode?
-Bem... posso...
-E então?
-Não.
Ele me abraçou.
-Eu sinto muito mesmo, Mel. Deve ser horrível a sensação...
-De ver a casa queimar? É, é sim, pode crer.
O abraço ficou mais apertado. Decidi que essa era a hora de deixar as lágrimas rolarem de novo. Zayn me colocou no colo e foi até o sofá. Ele me sentou gentilmente, mas não me soltou de modo algum. Seu abraço era reconfortante.
-O-obrigada... obrigada por ter ido... ido me ajudar... desculpa te colocar n--nesse perigo... v-você e Niall...
-Tudo bem, Mel, tá tudo bem. - Ele me apertava forte.
Vi Niall entrar na sala com minha mãe. Ele não a abraçava por respeito, mas ela notavelmente precisava. E, mesmo assim, era estranho, por que minha mãe não era tão alta e Niall batia em seus olhos, fazendo-o parecer seu filho.
-Desculpa, Niall. - Pedi também. Ele me olhou.
-Pelo que?
-Meter vocês nesse perigo...
-Mel, eu mataria você se não tivesse nos chamado. Cheguei um pouco atrasado, mas cheguei.
-V-vocês podiam... Z-Zayn... ele...
-Mel, eu não morri. - Zayn me acalmou. - Foi só um nocaute, e foi rápido.
-Como está sua cabeça?
-Bem. Ah, com um galo, mas bem.
-Está doendo?
-Não. - Olhei em seus olhos e ele suspirou: - Sim. Mas não se preocupe. Estou bem.
Mamãe saiu da sala e voltou com um pano molhado e com gelo. Zayn disse que não precisava, mas eu peguei e pus em sua cabeça. Por um momento, ele mordeu os lábios, mas depois parou.
-Obrigado.
-Disponha. - Eu e minha mãe falamos juntas. Niall e Zayn riram.
-Muito bem, precisamos conversar. - Zayn falou e eu saí de seu colo, sentando ao lado dele.
-Por favor, senhorita Grace. - Niall apontou gentilmente uma das poltronas. Ela sorriu e sentou na da direita, e Niall, esquerda.
-Muito bem. - Zayn começou. - Já sabemos que Luke quer um anel. Um anel específico. Um que Mel sabe qual é, mas não onde está.
-E agora não tenho chance de achar. - Falei triste.
-Você não precisa. Zayn achou. - Niall disse.
Eu e mamãe olhamos os dois, pasmas.
-Está no retrato. - Zayn disse. Ele foi até a porta e voltou com a bolsa da minha mãe. - Por favor, tire-o daí.
-Por que você não tira? - Perguntei.
-Não mexo em bolsa de mulher. Vai que tem algo que ela não queira que eu veja?
Mamãe o olhou meio encantada e tirou o retrato da bolsa, lhe entregando em seguida.
-Obrigado. - Ele virou de modo que nós duas conseguíssemos ver. - Bem, vejam aqui atrás. Está muito bem escondido, mas tem uma rachadura. Conseguem ver? - Ele mostrou o quadro pra mim e depois minha mãe.
-Não. - Falei.
-Não... - Minha mãe pediu desculpas com os olhos.
Zayn sorriu.
-Niall, pegue uma faca.
Niall voltou em menos de 10 segundos e lhe entregou. Ele cortou a parte de trás do porta-retrato, e de dentro caiu um objeto branco.
-O que é isso? - Quis saber.
-Seu anel, enrolado num pano. - Ele desenrolou o objeto. Sim, realmente, era o anel. Ouro do mais puro com um pequeno diamante no centro. Dentro, gravado Las reglas ricas sobre los pobres enfermos. Ele me entregou o anel. - Tome cuidado com isso. Deve escondê-lo melhor, agora que eles estão atrás.
-O que pretende que eu faça?
-Não sei, o anel é seu. Mas deve ter cuidado.
-Bem, isso eu já sei. Mas não posso dar fim à ele, sendo isso de tal importância.
-Por que não devolvem à família Real da Inglaterra? - Niall perguntou.
-Por que qualquer pessoa em posse de tanto dinheiro assim endoida. - Mamãe explicou. - Por isso o dinheiro foi trancado. O que há de jóias ali, ouro, prata, bronze, rubis, esmeraldas... ninguém fica sã com isso. A vontade de gastar é humana. A pessoa em posse disso iria poder pagar pra acabar com todo o Estados Unidos.
Nós três a olhamos, pasmos.
-Tudo isso? - Zayn quis saber.
-E mais.
-Mais? - Niall quase gritou.
-Sim, bem mais.
-Por isso precisa de tanta proteção... - Falei. - Mas como cabe tanto dinheiro em um cofre?
-Ah, querida... ele começa na altura do piso térreo e desce até mais ou menos o que seria o Empire State. E é lotado até quase o topo. Há passagens pelo meio feitas de vidro transparente para que possamos ver direito e...
-Mas por que, se ninguém entra lá?
-Antigamente a família protetora do anel entrava para ver se não haviam burlado nada. É arrumado de modo que possamos controlar. Quando a família Real precisava, retirávamos um pouco do dinheiro para que pudessem melhorar. Por que acha que não tiveram tantas crises? Por isso mesmo. Até o dia em que o dono do anel foi morto. O anel se perdeu e só foi achado 273 anos depois, pelo tataraneto do ex-dono. Por sorte, o garoto sabia exatamente como era o anel e sabia para que servia. Ele o pegou e avisou à família Real sobre isso. Ele virou o novo protetor. Então, houverão oito tentativas de assassinato contra ele. A Rainha decidiu que ele deveria fugir, e ele viajou durante uma noite bem movimentada para que ninguém o pudesse seguir. Ele foi para a China. Passou o anel para o filho que veio para a Argentina, e a filha veio pro Brasil. Até hoje, nós passamos o anel de geração em geração, mas só contamos a história no leito de morte, ou deixamos uma carta. Dessa vez, não foi assim.
-Pelo menos a senhora não vai morrer agora. - Falei. Estava com raiva dela, mas a ideia de viver com meu novo pai e sem ela iria me matar.
-Não, amor, não vou. - Sorriu.
-Agora me explica que história é essa do papai e da Liz?
-O que tem?
-Deles serem irmãos!
Zayn e Niall ficaram tão surpresos quanto eu fiquei. Mamãe suspirou.
-Eu e seu pai... bem, ele é descendente de alguém que cuidava da família Real e ele deveria encontrar o dono do anel para ajudar a protegê-lo. Ele levou 17 anos pra isso. Quando nos casamos, não nos amávamos de verdade, tínhamos nos conhecido à somente alguns meses. Acabamos por nos amar depois, mas tudo foi pelo anel. Eu nunca quis ninguém em perigo...
-Mel e Brith foram uma surpresa pra você, não foram? - Niall deduziu.
-Sim... eu nunca havia planejado ficar grávida. Apesar de muito feliz, foi realmente uma surpresa.
Minhas mãos tremiam. Minha mãe não me queria?
-Quando elas nasceram, eu fiquei com medo. Medo de metê-las nisso. Queria que suas vidas fossem o mais normal possível. Mas ficamos sabendo que alguém estava por perto atrás do anel. Mike teve a ideia de nos separarmos, pois eu nunca fui muito rica. Nunca poderia deixar um legado tão grande quanto aquele anel. Então ele ficou comigo. Mas ele solteiro também era um perigo. Demorei, mas o convenci a casar com a irmã. Por segurança. Como ele não queria perder a ligação conosco, Brith foi com ele. Ia ser você, mas Brith chorava longe dele, então ela quem foi. - Tremi. - Megan também não foi planejada, não por Mike. Mas, eu e Liz conversamos e sabíamos que um filho deles iria proteger a nós, pois a chance do legado ser dado à este filho ou à Brith era muito grande. Mike não queria, mas ela ..
-Não precisa contar como Megan nasceu, mãe, obrigada. - Falei vermelha. Zayn e Niall riram, mas sem humor. Notaram que eu estava bem tensa. Zayn segurou minha mão pra me dar conforto e eu sorri pra ele.
-Bem, terminando: Meg e Brith quem tinham as chances de ter o anel, por isso o perigo de virem atrás de mim era reduzido à 25%. Quanto mais movimentamos o anel, mas difícil é de achá-lo.
-Então vamos morar nos EUA por causa dessa bosta de anel? - Perguntei.
-...
-Jake sabe disso?
-Não.
-E aquele idiota que vai ser meu padrasto?
-Não. E ele não é idiota, Mel, ele só...
-Quer seu corpo nu!
-Melody!
-O que? Você acabou de dizer que realmente não me queria, que você e papai não se amavam e que você o obrigou a casar com a irmã por causa de uma porra de um anel! Acha que tem o direito de me pedir pra ser sensível?
-Querida, eu..
-Querida o caralho, mãe! Isso é ridículo! - Levantei e me tranquei em um dos quartos dali. Era pequeno, mas aconchegante. Ouvi uma batida na porta. - VAI EMBORA, MÃE!
-Não é sua mãe. Sou eu.
Suspirei e abri a porta para Zayn.
-E Niall?
-Ajudando sua mãe a parar de chorar.
-Não vou me sentir mal por gritar com ela.
-Eu sei. No seu lugar, acho que teria feito o mesmo. - Ele entra no quarto e tranca a porta de novo. Ele me abraça. - Sei que não está bem. Mas não sei mais como ajudar.
-... deita comigo?
-Como isso vai ajudar?
-Você é reconfortante... - Corei. Ele sorriu.
-Claro.
Peguei sua mão e o puxei pra cama. Ele deitou na minha frente, me abraçando como se me protegesse, o que me fez sorrir. Mas não durou muito tempo. Comecei a pensar em tudo o que houve, no que todos me disseram, e em como ia viver nos Estados Unidos sem os One Direction, Justin, Christian, Chaz, Ryan, Jasmine, Selena, Demi, os Big Time... Assim, comecei a chorar. Zayn me apertou contra o peito e beijou minha cabeça levemente várias vezes, fazendo carinho em meus braços e costa.
Dormir, naquele estado, foi a coisa mais fácil do mundo.
-Caralho, que firme!
-Man, foda!
-Isso que é filme bom!
-To tonto de tanto pulo.
Nós rimos. Somos tão babacas.
-Aí, vamos comer? - Perguntei.
-Valeu, cara, mas eu to enjoado. - Chris disse. - Vou só acompanhar vocês.
-De boa. E vocês dois? - Olhei Chaz e Ryan.
-Cara, quando a gente não quer comer? - Chaz riu.
-Verdade, que pergunta babaca. - Ryan disse.
-Vão se foder. - Eu ri e Chris me acompanhou.
-Com a Demi lol - Os olhos de Chaz brilharam.
-Valeu, to bem, aqui. - Ryan riu.
-Gay. - Chaz o olhou.
-Eu não fodo homem ;)
-Nem eu, mas eles me desejam.
-Nem uma gripe você pega, Chaz - Chris disse e todos nós rimos.
-Credo, Chris, sacanagem comigo.
-Sacanagem é o que você faz sozinho no banheiro. - Zoei.
-Ah, claro, e você ama me ouvir gemer, né, Bieber?
-Cara, você acabou de admitir que é uke. - Ryan disse.
-Não, eu disse que ele ama me ouvir gemer, não falei que ele me enraba - Riu.
-Uke? - Chris perguntou.
-É o passivo do casal gay. - Ryan explicou.
Chris ficou surpreso.
-Chaz, você é passivo?? HAHAHAHAHHAHAHHAA SABIAAA
-Ai, caralho, meu ouvido ù.ú - falei
-Foooooooda-se kkkkkkk
-Chris falando tanto palavrão em menos de 15 minutos. Que isso, menino, não te conheci assim. - Chaz riu.
-Culpa de vocês kkkk to bem aproveitando a vida enquanto posso lol
-Pois é, a vida é curta demais pra desperdiçar, né, irmão? - Sorri. Ele sorriu de volta, mas quando Chaz e Ryan viraram, vi uma ponta de tristeza em seus olhos que eu não pude deixar de fazer uma nota mental de falar com ele depois.
Chaz foi no Bob's e dei dinheiro pra Ryan comprar um BigMac pra mim, dizendo que minhas pernas doíam e eu precisava relaxar. Eles foram pra longe e olhei Chris ao sentarmos em uma mesa.
-Manda a real, irmão. Qual foi a daquela tristeza quando estávamos falando de vida?
Ele me olhou.
-Que tristeza?
-Beadles. - O olhei como se dissesse "não me esconda nada ou eu vou descobrir sozinho e vai ser pior". Ele suspirou.
-Segredo.. ok?
-Claro. Abre o bico.
-.... eu tenho câncer.
Engasguei com o ar.
-Como disse?
-Câncer. No estômago. Por isso você viu minha irmã chorando quando saímos.
-Como você...?
-Eu te vi a olhando e eu sabia que ela estava lá. Não tente me esconder as coisas também. Sou do tipo de pessoa que ninguém acredita que existe: tenho sensações que me dizem a verdade.
-Uau, legal, mas voltando. Quando descobriu?
-Um tempo atrás. Lembra quando tive enjoo pela primeira vez na sua casa?
-Hm... lembro.
-Descobri três dias depois, por que eu tava vomitando sangue e minha mãe quase morreu.
Apertei seu ombro.
-Nossa, cara, eu sinto muito mesmo.
-Não sinta. - Deu de ombros. - Se tenho, é por que era para ter. - Depois, ele me olha sério. - Não mude de atitude comigo por causa disso. Não quero ninguém tendo qualquer chance de saber.
-E se você passar mal?
-Bem, aí, me ajude, por favor.
-Claro que sim, babaca! Você acha que eu ia deixar um dos meus melhores amigos passando mal e não ia fazer nada?
-Agora, não. - Riu.
-Agora?
-Quando te conheci, achei que queria me matar.
-Olha... - Zoei e nós rimos. - Não vou mais lutar com você, o ponto que eu mais acerto é sua barriga. - Então me toquei e o olhei: - cara, devia ter falado antes!!! Eu soquei sua barriga umas quinze vezes depois daquele dia!!!
-Eu sei.
-Você passou mal depois de alguma delas?
-Das quinze? Vinte vezes.
-Christian!
-Desculpe. Eu não quero que pare de lutar comigo, e por isso eu não contei. Eu gosto de lutar, quero viver em quanto posso.
-É fatal?
-Pode vir a ser. Por enquanto, eu só como na dieta do médico e em casa.
-Se precisar de mim, cara, pode me ligar, mesmo que seja meia-noite. Tudo bem?
-Obrigado, Justin. Mesmo. Não sei o que faria sem você.
-Não tiraria boas notas em inglês, não conheceria Chaz e Ryan, não...
-Tá bom, entendi, muita coisa. - Nós rimos.
-E aí, veados? - Chaz chegou com o lanche dele.
-Fale bixa louca. - Falei.
-E aí, puta? - Chris zoou.
-Pelo menos eu pego todas lol - Nós rimos.
-Quem pega todas? - Ryan chegou e me deu meu lanche.
-Valeu. - Agradeci.
-Chaz. - Disse Chris.
-Chaz pega todas? De anda. - Ryan perguntou.
-Pega nada. - Falei.
-Por favor, meninas, sou foda, vocês me amam. - Chaz zoou.
-Aham, claro. - Ryan ironizou.
-Claro mesmo. Sou o dono de vocês, minhas vadias.
-Oh, senhor, deseja uma massagem na sua vagina?
Eu e Chris choramos de tanto rir. Ryan sabia jogar, e Chaz também pipocou de rir. Nem mesmo Ryan se segurou.
-Não tenho vagina, diferente de você, vagabunda. Agora vai buscar a tua..
-Chaz, chega. - Eu ria tanto que tive que pedir pra parar, minha barriga doía. Vi Chris rindo muito também, então me toquei que ele podia estar sentindo dor. Sorte que ele não me viu olhando, ou podia achar que eu pedi pra parar por causa dele, e ele ia ficar chateado. - E-eu vou morrer s-sem ar, merda! - Ainda ria.
-D-dois. - Chris ria muito.
-F-foi mal. - Chaz gargalhava tanto que todos nos olhavam. Ryan ria, mas mordia os lábios pra tentar parar.
Meu celular vibrou e vi que o de Chris também. Eu peguei o meu e abri a mensagem.
Parei de respirar.
Levei um tapa e voltei ao mundo. Chaz o havia me dado. Ryan deu um em Chris, que estava vermelho, então soube que ele recebeu o mesmo.
-Caras, vocês estão bem? - Chaz perguntou.
-Os dois pararam de viver ao mesmo tempo. O que houve? - Ryan quis saber.
Minha mão tremia. Olhei Chris. Ele estava verde, enjoado.
-C-Chris...
-Não... eu... - Ele correu pro banheiro.
-Chaz, Ryan, fiquem aqui, por favor, não venham! - Corri pro banheiro antes que eles pudessem questionar.
Alguns homens me olharam quando entrei, mas não me importei.
-Chris? Chris, onde você tá? Você tá bem?
-O garoto vomitando? - Um homem me parou. - No último da direita.
-Valeu, cara. - Corri pra lá.
A porta tava trancada. Só pude ver os tênis de Chris, vendo que estavam em posição de estar ajoelhado. Eu o ouvia vomitar.
-Cara, não tem nada que eu possa fazer?
-Por isso? N-não.. - Honestamente, eu fiquei enjoado só de ouvi-lo vomitar, mas não ia sair dali nem morrendo. - Mas valeu.
-Você trouxe remédio pra parar?
-Não... Eu não pensei que... Não tava me sentindo mal quando saímos... achei que não ia vomitar...
-Cara, se você recebeu a mesma mensagem que eu, eu entendo muito bem. Até eu quero vomitar.
-É verdade? Ela tava lá dentro?
-Não sei, Chris. - Então me lembrei de Zayn e Niall correndo. - Aqueles dois... eles sabem de alguma coisa...
-Que dois?
-Malik e Horan... eles estavam indo pra casa dela, lembra?
-Acha que foi o Zayn? Niall nunca ia deixar, e..
-Mas Niall pode ter sido alvo também!
-Ligue pra ele, caramba!
-Claro, patrão --' - Liguei.
-Alô?
-Niall?
-Fala cara.
-Uau, você tá vivo!
-Claro que tô .-. por que?
-Cara, é verdade sobre a casa da Mel? - Perguntei tremendo.
-Ah cara... você e o Beadles já tão sabendo?
-Então é verdade? Ela... a Mel..
-Ela tá bem, Zayn a tirou de lá antes mesmo de sabermos que ia acontecer isso.
-Zayn.. a tirou?
-Claro, cara. - Ele me contou o que houve durante o dia, o que Me havia dito pra ele. - E agora estamos numa casa nova e provisória, já que elas só vão ficar até mais ou menos novembro ou dezembro.
-Onde é?
-Eu não sei a rua, viemos na viatura da polícia pra cá.
-Ela pode falar com a gente?
-Acho que o Zayn a fez dormir, não escuto barulho nenhum vindo do quarto dela.
Quase engasguei.
-Zayn e ela estão no mesmo quarto?
-Cara, Zayn não vai matá-la! Confia nele.
-Confio em você, Niall. Se você diz, eu acredito. Mas nele, não.
Ouvi Niall suspirar.
-A Mel tá bem. A tia Debi dormiu aqui no sofá e eu estou olhando pra ela não cair, por que ela tá muito na ponta. A Mel já chorou, já gritou, já brigou com a mãe.. na medida do possível, ela está bem.
-Ela se machucou?
-Não, está intacta.
-... obrigado, Niall. Cuide dela, por favor.
-Claro. Fique calmo, ok? Você e o Beadles.
-Vamos tentar. Valeu mesmo. Até.
-Tchau.
Desliguei e olhei os pés de Chris. Ele já tinha parado de vomitar, estava só sentado descansando.
-Você tá bem, cara?
-Indo... e a Mel?
-Niall disse que está intacta.
-Graças aos Céus.
-Vamos, Beadles, você precisa ir pra casa.
-Espera um pouco... tá doendo pra caralho..
-Tá bom, eu to sentado aqui do lado de fora. - Sentei na porta do box dele.
-Valeu, Justin. Mesmo.
-Não precisa agradecer.
Apoiei a testa nas mãos. Comecei a pensar em tudo. Primeiro, o mais estranho: eu e Chris. Somos amigos, agora. Sempre brigávamos pela Mel, mas essa disputa que acabou nos unindo. Pra mim, ele é praticamente um irmão, assim como Chaz e Ryan.
Segundo: a Mel. Estava cansado dela nem querer mais olhar na minha cara. Eu estive errado, é verdade, mas poxa!, ela poderia tentar me entender.
Ok, não tem o que entender. Eu tava errado, muito, de verdade. Mas eu estou arrependido, e isso ela tem que entender.
Terceiro: Luke! Vou matá-lo por fazer isso com a Mel e a tia Debi! Lautner, Jes e Brith também!
Quarto: tenho que ficar de olho em Zayn antes que a Mel engravide.
Chris saiu do banheiro dez minutos depois. Me levantei e o olhei. Ele estava pálido demais, até a boca estava branca.
-Você precisa beber água.
-Só um pouco... vamos voltar pra Chaz e Ryan...
-Te levo até a mesa e vou comprar sua água.
-Valeu.. - Ele pôs a mão na cabeça e quase caiu, então eu o segurei.
-O que foi?
-Tontura... bem forte. Acontece com a perda de água... desculpa. - Pediu.
-Por que? Cara, não fica mal com isso. Vem, vamos até a mesa.
Eu o ajudo até ele sentar. Chaz e Ryan estavam conversando nervosamente, mas ao verem Chris, quase ficam pálidos que nem ele.
-Cara, você tá péssimo! - Chaz disse.
-Valeu. - Chris deu um sorrisinho irônico.
-Já volto. - Saí pra comprar a água pra ele.
Na fila eu olhava a mesa o tempo todo. Queria ter certeza que Chris não ia precisar ir ao banheiro correndo, por que eu não ia ter como correr pra lá rápido a essa distância.
"Caramba, ele tem câncer!!!! A ficha ainda não caiu pra mim!!!"
Comprei a água e dei a ele, que bebeu lentamente depois de agradecer. Sentei ao seu lado. Tinha perdido a vontade de comer. Mas ele me mandou comer pra não passar mal de fome depois e acabei cedendo.
-O que vocês receberam pro Chris precisar vomitar? - Ryan quis saber.
-Incêndio na casa da Mel. Foi o Luke e a turma dele.
-Como você sabe? - Chaz perguntou.
-Chris educadamente me pediu pra ligar pro Niall.
-Niall? - Ryan perguntou.
-Justin burramente lembrou que eles estavam correndo pra casa dela. - Chris falou e eu ri. - Zayn e Niall.
-Ah. E o que mais ele disse?
-Ele disse o que a Mel contou à ele: que o Luke chegou na casa dela cedo e chamou-a pra ir com ele pra ela não sabe onde e depois um cara, que seria o Launt, fingiu ter matado ele... - Narrei o resto do episódio à mim narrado antes. - Agora ela tá dormindo.
-Ela tá bem? - Chaz quis saber.
-Óbvio que não, mas eles estão com elas.
-Acha que vão ficar livres? - Chris quis saber.
-... Não sei, Beadles... não sei...
Oi, oi, oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!! Meninaaaas, o próximo cap é o último da temporada #chorei !!!!!!!!!! Vamos ver o que vai acontecer???? Vou começar com dois coments ;*
Ai cara, vou chorar, caramba, não queria acabar agora kkkk mas segunda temporada só depois, ainda tenho cinco IB's novas, fazer oq suahsuahsa espero que curtam, girls, luv ya <3
-Já estou indo. - Gritei. Peguei um roupão - já que ainda estava de pijama - e o vesti.
Fui até a porta enquanto ainda amarrava-o em minha cintura. Quando terminei, olhei pelo olho mágico. Abri somente 1/4 da porta.
-O-o que faz aqui?
-Estou magoado. Achei que você receberia seu ex-namorado mais feliz.
-Nós praticamente...
-Vamos, Mel. A vida segue em frente - Ele sorriu. Foi o sorriso sarcástico que sempre me derreti. - Seja educada e me deixe entrar.
Fiquei espantada com a cordialidade dele. Estava realmente sendo o Luke que gostei. Meu Luke. Lucian Santos de Fátima. Abri a porta e ele entrou, fechando-a com o pé. E, então, me abraçou.
-Estava com saudade de você, Mel.
-Pensei que estava no curso.
Ele se afastou, mas não me soltou.
-Não. Muito chato. Pensei em ficar as férias em casa, desta vez.
-Quase todo mundo...
-Jura?
-É. Quase todas as pessoas da nossa série não foram.
-Selena?
-Não.
-Demi?
-Não.
-Miley?
-Também não.
-Nem os Big Time Rush? Eles adoram aquele lugar!
-Também não foram.
-Céus, e quem foi?
-Chris e Justin. E, talvez, algumas pessoas da turma B.
-Meu D'us. E por que a banda não foi?
-Estão compondo. Treinando.
-Ah. Eles não precisam, são bons.
-Eles nunca tocaram em público.
-Oh, não contaram pra você?
-O quê?
-Vamos pro seu quarto, vou te mostrar.
Ele pegou minha mão e me levou ao meu quarto, também fechando a porta. Estava nervosa, mas fiquei atrás dele quando ligou meu computador e foi ao youtube.
-Veja só. - Me mostrou, clicando em um vídeo. - Aqui estão eles.
Abriu o vídeo e o passou.
-Bons, não? - Perguntou.
-Sim... incríveis.
Luke levantou e virou pra mim, mas lentamente, como se estivesse cansado. Apoiou-se na bancada.
-Então, o que faz da vida agora, Mel?
-Descanso e estudo. Saio pra me divertir nas férias. Opa, hoje.
-Oh. - Ele pareceu triste e ao mesmo tempo zombeteiro. - Vai sair mais tarde?
-Sim.
-Com o pé torcido?
Como ele notou que meu pé estava torcido? Estou andando sem fazer nem uma careta, apesar de sentir dor.
-Como você...?
-Eu estava lá ontem com sua irmã quando você caiu.
-Luke...
-Não estou te perseguindo. Poxa, Mel, acredite em mim uma vez.
Virei de costas pra ele.
-Já acreditei. E me arrependo até hoje.
-Mel... - Ele me virou de volta e ficou segurando meus pulsos. - Não fala assim. Pedi desculpa bilhões de vezes e pedirei mais bilhões se precisar. Poxa, eu te amo. Eu quero te fazer feliz. Me dá mais uma chance.
-Ai. - Ele ficou confuso, então olhei minhas mãos. Ele me soltou, ainda confuso. - Desculpe. É que...
Ele pegou meu braço pra olhar, mas sem me machucar desta vez.
-Você... se cortou...
-Já faz tempo. Mas ainda machuca um pouco.
-Isso foi por minha culpa? - Estava notavelmente abalado.
-Em parte... mas teve mais. No tempo, foi difícil. Mas estou bem.
-Não posso crer que fez isso.
-Me desculpe, Luke. Eu sei que eu prometi pra você... Na verdade na hora nem me lembrei. Não conseguia pensar em nada além de me cortar, da dor que eu estava sentindo... Me desculpe. Mesmo.
Ele me abraçou, enterrando meu rosto em seu pescoço. Não era mal abraçá-lo, era? Passei meus braços por sua cintura até prender meus dedos uns nos outros. Mas senti algo duro na bainha pela parte de trás e voltei a mão. Ele me impediu, segurando meu braço.
-Melhor não pegar nisto. Não vai gostar.
-O que é?
Ele suspirou.
-Uma arma. - Surpresa, o soltei, dando alguns passos pra trás. - Fale sério, se eu fosse matar você, acha que teria contado que estou armado? - Parei de me mover, mas deixei claro em meus olhos que se ele se movesse, eu correria. Ele suspirou. - Estou sendo perseguido por algumas pessoas. Algumas más, outras piores. Preciso disto para me proteger.
-Que pessoas?
-Gangues de bandidos que usei e não paguei. Algumas vadias que o Launt quis, apesar de - desculpe dizer - sua irmã fazer esse papel. - Brith nunca me tratou bem, mas fiquei furiosa com ele. - Palavras de Launt. Sou virgem. - Isso me deixou mais calma. - E a polícia. Você sabe por que.
-Sei. Mas seu pai é policial.
-Ele disse que fugi e que não tem nenhum contato comigo, apesar de nos vermos semanalmente.
-Isso é perigoso pra ele.
-E pra mim.
-Você, se for encontrado, vai pegar pena para menores de idade. Ele não.
Uma sombra de alguma coisa - dúvida? - passou por seu rosto, mas logo sumiu.
-Papai é muito bom. Não vai acontecer nada com ele.
-Que assim seja. - Suspirei, com os braços abraçando à mim mesma. - Bem, ainda não me respondeu o que veio fazer aqui.
-Sim, respondi. Estava com saudades e vim lhe ver.
-Uhum. - Não acreditei. Ele suspirou e sentou na minha cama.
-Vim te chamar pra ir comigo...
-O que?
-Ir comigo. Brith disse que vocês brigam, mas ela se importa com você. Quer que vá conosco. Disse que se ficar, vai ser ruim pra você.
-O que estão armando?
-Não posso dizer se não concordar em vir... Mas precisamos de você, Mel. Eu preciso de você. Quero você à salvo. Venha comigo, por favor.
-Sinto muito, mas não.
Ele apertou a cama, suspirando.
-É, eu tentei. Brith disse pra te levar à força, mas não sou capaz psicologicamente de te obrigar à fazer algo assim.
-Só psicologicamente?
-Olhando meu corpo você sabe que fisicamente eu posso.
Parando para notar: sim, Luke estava mais musculoso, tanto que chegava à ter músculos do tamanho dos de Justin.
ESQUEÇA JUSTIN!
Notei-o olhando meu rosto enquanto o analisava. Ele estava sorrindo de canto, como se soubesse o que eu estava pensando.
E eu pensava que ele estava muito gostoso.
-Venha aqui, Mel.
Escondendo o ligeiro espanto que me veio quando ele me chamou, fui até ele, que pegou minha mão e colocou em seu braço. Sem olhar em meus olhos, passeou com ela até o ombro e de volta ao local inicial - e, devo admitir, que perfeito! O braço estava duro, bem duro, como se malhasse por 5 horas por dia. Apertei seus músculos e ele não comentou nada, só me olhava. Não sorria nem desaprovava, nada. Parecia... apreciar.
-Você... hum... tá malhando. - Comentei, sem graça.
-Muito. Estou todo dolorido à dois meses.
-Desculpe. - Tirei a mão dele.
-Tudo bem, o costume não me deixa notar.
-Não quero te machucar.
-Não está.
Ele chegou perto de mim. Sentia seu hálito de menta, mas não conseguia me afastar. Parecia presa ao chão, como se tivessem passado cola em meus pés. Ele pegou meu rosto delicadamente.
-Mel... eu...
-Luke, não... - Coloquei minhas mãos sobre as dele, mas, antes de fazermos qualquer coisa, ouvimos o barulho de algo quebrando lá em baixo, fazendo-nos nos separarmos rapidamente. - O que...?
Ele me soltou sem dizer nada e foi descendo as escadas, com a mão no cós da calça, pronto para pegar a arma. Não achei que era para tanto, mas fui atrás, cautelosa.
Antes de chegar ao pé da escada ouvi um tiro. Parei abruptamente, esperando Luke voltar.
Mas não voltou.
-Luke? - Chamei. Nenhuma resposta.
Fui até a cozinha, onde só tive dois segundos para notar tudo: um homem mascarado com uma faca ensanguentada, Luke caído no chão, o rosto se esfolando nas lajotas do piso, sangue rodeando seu corpo, copos quebrados. Foi nessa hora que saí correndo, depois, claro, de gritar. Ouvi o assaltante correr atrás de mim. Subi e me tranquei no meu quarto.
-Ai meu pai do céu... - Olhei o quarto, procurando algo que conseguisse machucá-lo. Ok, haviam várias coisas, mas será que eu conseguiria machucá-lo?
Vi meu telefone na bancada.
-Zayn. - Foi a primeira pessoa que me veio à cabeça. Peguei meu celular e liguei pra ele. -Alô?
Ele deve ter notado o pânico em minha voz, pois ouvi-o deixar cair vários papéis e arrastar a cadeira.
-O que houve? Algum problema?
Ouvi Niall atrás dizendo "O que foi? É a Mel?"
-Sim. preciso de ajuda. Luke veio aqui em casa e...
-Ele te atacou?
-Não, mas um assaltante o atacou. Acho que Luke está... - Engoli em seco com as lágrimas que me vinham. Não conseguiria dizer morto.
-Eu estou indo aí. Chame a ambulância.
-ABRA A PORTA, GAROTINHA\! - O assaltante bateu nela com força e eu gritei.
-VÁ EMBORA! - Gritei para ele. Ouvia vagamente Zayn do outro lado da linha gritando "Mel, fuja, saia daí!". Desliguei a ligação e coloquei o telefone no bolço, olhando o quarto.
A janela.
Abri-a como se estivesse realmente fugindo, deixando o quarto ligeiramente bagunçado.
"Ele vai achar que fugi e vai atrás de mim." Pensei.
-ABRA, MENINA!
-ADIOS! -Gritei, e fiz um barulho para fingir que pulei da janela. Cautelosamente, mesmo assustada com suas fortes batidas na porta, fui para baixo da cama, bem no canto e encolhida.
Ouvi um chute fortíssimo e a porta foi arrancada das dobradiças. Quase bati a cabeça na cama com o susto, mas me forcei à não fazer barulho nem para respirar, ou seja, respirei pela boca e bem devagar.
-Melody! - Ouvi o sotaque. Era norte-americano.
Recostei-me no mais fundo possível do esconderijo. Estava suando frio. Minhas veias pulsavam.
Vi seus pés rodarem todo o quarto. Estranho, suas botas quase não faziam barulho. Ele saiu do quarto e voltou depois de 30 minutos.
-Barra limpa. Ela realmente saiu. - Ele disse. Logo um mascarado mais magro e menos forte aparece ao seu lado.
-Procure onde quer que esteja.
-Na gaveta de jóias?
-Seria óbvio demais por um anel lá. Mas talvez ela não saiba a importância dele. Procure.
-Ok. Hum.. Luke? - Me espantei e quase deixei escapar um grunhido.
-Que é?
-Por que quer tanto o tal anel?
-Você não me ouviu falar com a sua namorada?
-Brith não me disse nada...
-O anel é uma chave. Existe hoje, no condade de Berkishire, na cidade de Windsor, na Inglaterra, um palácio que forma um quase anel e fazia parte do anel de Castelos defensores da Inglaterra. Há relatos que em uma das alas do palácio existe uma grande fortuna escondida por um dos reis que viveu lá.
-E você acha que a família real não sabe disso?
-Tenho certeza. Papai mandou alguém lá há anos. Virou conselheiro de confiança da rainha. Ele perguntou debilmente sobre isso, e ela disse que nunca ouviu falar. Continuando, no palácio, há um cofre reluzente em ouro, mas bem escondido. Os relatos dizem que só pode ser aberto pelo anel de Dom João II. Não sabemos ainda o que ele tem haver com isso. Achamos que roubaram o anel dele como prova de que eram melhores e então o fizeram a abertura do cofre compatível.
-Não podemos usar qualquer anel?
-Não. O Anel de Dom João tinha algo gravado em seu interior. Precisa disso para abrir o cofre.
-Gravemos em outro anel. - Disse, virando minha gaveta.
-Não se sabe o que tem escrito, Launt. Ah, me lembrei de uma coisa.
-O que?
-Brigar com você. Poxa, eu estava quase beijando a Mel!
-Você marcou esse horário. Se você foi lerdo demais e demorou de beijá-la, a culpa não é minha.
-Calado.
-Você não aceita o erro ser seu, não é mesmo?
Luke puxou uma arma e apontou pra ele.
-É bom ficar calado, irmãozinho. Você foi para aquela escola para me conhecer. Seu destino como ladrão foi criado antes de saberem que nossa mãe estava grávida. Você foi mandado para morar com os Lautner por que eles são uma família de pessoas inteligentes e bem-dotadas. Era para ter saído de lá mais inteligente que eu. Como não foi assim, papai disse que quem manda sou eu. Agora... - Ele foi ao banheiro do meu quarto, e ouvi sua voz de lá. - Procure em todos os cantos.
Launt urrou baixo, mas continuou o trabalho.
-Launt?
-Hum?
-Por que não cuida de nossa espiã, e eu procuro o anel?
Meu coração acelerou. Como ele sabia que eu estava ali?
-Você...?
-Claro que sabia. Ela não é burra. - Ele saiu do banheiro e se virou para a porta do meu quarto. - Certo, Brithany?
-Caralhoo hahahahaha
-Porra, não faz, velho! Ai!
-Já chega, vocês dois. - Falei, quando Ryan e Chaz brigavam na frente da casa de Chris. De braços cruzados e encostado na parede ao lado da porta, eu os via se batendo desde que chegamos. - Vocês são tão infantis.
-Calado, Bieber. - Ryan mandou.
-Vocês três são. - Chris disse, saindo da casa. Parecia cansado. - Agora vamos logo. Ainda temos que comprar os ingressos.
Olhei-o de cima à baixo. Cansado, pálido, com olheiras grandes.
-Está doente, Beadles? - Perguntei.
-Só um pouco gripado. Nada de mais.
E saiu andando. Fui atrás dele, mas parei e olhei para trás. Na janela de Cait, ela nos olhava, quase escondida. Ao me ver olhando-a, saiu de lá.
Mas não antes que eu notasse seu rosto molhado por lágrimas.
Estávamos à caminho do shopping quando alguém correndo grita "sai da frente" mas eu olho para trás ao invés de sair, então bate em mim e me derruba, caindo por cima de mim.
-Caralho! - Falei. - Olhe por onde and... Zayn?
-Bieber?
-Mas o que...?
-Foda-se! Vamos, Niall, rápido!
Niall vinha correndo mais atrás.
-Ela não responde! Vai, eu te vejo lá.
-Falou! - Zayn disparou pela rua. Em 15 segundos tinha virado a esquina.
-Nialler?
-Oi? - Ele parou. - Desculpe Zayn ter te derrubado. - Ele me ofereceu a mão e me ajudou à levantar. - Estamos com pressa.
-Então por que não o segue?
-Zayn se vira sozinho. Mas, mesmo assim, vou indo. Talvez contemos pra vocês depois. Até breve. - Ele disparou também.
Chris me olhou.
-Não gostei. É com a Mel!
-O que? Como você...?
-Tive pesadelo com ela hoje. Já tinha um mau pressentimento. Mas Zayn correndo assim com Niall na direção da casa dela... Zayn é apaixonado por ela. Há algum problema. Devíamos...
-Caras, não quero acabar com vocês - Disse Chaz -, mas, se ela chamou o Zayn e não vocês, é por que não quer vê-los. E, acreditem, não passem na frente de uma garota que não quer ver você. É doloroso.
-Mas Chaz.. - Tentei.
-Ele tem razão, Bieber. - Ryan me cortou. - Vai ser pior. Espere ela voltar à falar com vocês.
-Mas a Mel...
-Zayn e Niall cuidam dela, Bieber. No momento, você tem um homem-aranha mutante pra ver.
Ela entrou no quarto com um sorrisinho sínico.
-Santos.
-Grace.
-Você a deixou ouvir o plano.
-Sei disso. Exatamente.
-Então deve levá-la.
-Não será preciso. Ela não vai contar. Por que, se contar...
-Ela sabe quem vai morrer...
-... não é, Melody?
Arfei com o susto. A cama foi levantada e eu fui arrancada de lá com um grito arranhando minha garganta. Me vi sendo segurada por Luke e Birth me encarava, olhando feio.
-Acredito, irmãzinha, que você já saiba o que queremos.
-Um anel. Mas não sei qual. Tenho tantos...
-Sim, sabe.
-Mas eu nunca...
-Sabe, sim. - Ela riu, maligna. - Você se lembra por que Justin foi separado de nós a infância?
-Uh?
Lembrei-me de Birth tomando meu lugar e partindo sua felicidade. Justin era só uma criança. Mamãe nos tirou de lá. Um mês depois, ela e papai se separaram. Então, Brith foi com papai, e eu com mamãe. Um colar me foi dado com um pingente em forma de anel.
"-Nunca perca este anel, Melody. - Mamãe havia me dito. - Prometa-me.
-Sim, mamãe. - Eu havia dito".
-L-lembro... você foi falar com ele no meu lugar, e ele ficou magoado. Nossos pais nos tiraram de lá e então...
-Papai e mamãe se amam, Melody. Ele se casou com Liz para esconder você. Uma mulher solteira normalmente não deixa legados como este anel. Casou-se com a irmã para parecer que o anel foi dado à mim.
-I-irmã?
-Lizzie é irmã do papai. Só você e Megan não sabem disso na família. Agora, só a Meg. Ela deveria ser a herdeira do anel, mas ele já foi dado à você. Escondido. Já sabe. precisamos dele.
-Eu realmente não sei do que...
-Launt. - Ela me interrompeu. - Leve-a para fora.
-Brith, quem manda aqui sou eu. - Disse Luke.
-Não, Luke, não é. O anel pertence à minha família.
-Então por que você quem manda? - Perguntei.
-Se você não percebeu, você não sabe de nada, e nem quer saber. Agora... dê-me o anel.
-Não sei qual é.
-Está aqui em algum lugar. Dê-me o anel.
-EU NÃO SEI QUAL É!
Levei um tapa na cara.
-Não grite comigo.
-Você disse que ela não ia se machucar, Brithany! - Luke falou com raiva.
Olhei-o, virando a cabeça para trás. Ele estava metido nisso, mas estava me protegendo?
-Disse que ela não ia se machucar se ela cooperasse. Ela não está cooperando.
-Mas ela não lembra onde deixou o anel! Dê-lhe um tempo pra pensar!
Ela chegou tão perto dele que sua orelha ficou na minha.
-Isso é amor, Lucian?
Luke ficou tenso.
-Eu...
-Ora, ora, ora. Lucian Santos realmente ama minha irmãzinha. Quem diria. No que uma encenação pode dar, hã?
-Encenação? - Perguntei.
-Brithany... - Luke quase implorava com os olhos.
-Ah, tudo bem. - Suspirou. - Mas ela vai conosco.
Notei uma luz no olho de Launt. Pelo visto, Luke notou também, pois o fitou.
-Isso é...
-AAAAAAAAAAAHHH!!! - Ouvi o grito e logo depois Luke me soltou, caindo no chão.
Apoiei-me nos braços para levantar e vi Zayn com um cano nas mãos. Ele havia nocauteado Luke, e estava brigando com Launt, que havia sacado uma faca e lutava contra ele.
Me senti ser levantada pelos cabelos e gritei. Isso distraiu Zayn e Launt deu uma facada em seu rosto, mas nada que o matasse. Foi só um arranhão, já que ele desviou, mesmo que tardiamente.
Brith estava me levando. Tentei lutar, mas ela colocou uma faca em meu pescoço.
-Me solta, Brith! - Gritei.
Ouvi alguém cair no chão e olhei o máximo que pude para trás.
Gritei.
-ZAAAYYYN!!!!
Ele não se moveu. Launt riu e veio atrás de nós.
-Fracote.
-Muito bem, amor. Vamos.
Ela me forçava à descer em meio aos meus gritos. Então, Launt caiu, depois de um som bem alto. Brith virou pra trás comigo, o som veio de novo, e ela caiu. Então eu o vi.
Zayn, com vários cortes, sangrando em vários lugares, segurando uma panela - especificamente uma frigideira. Arfava pelo esforço da luta, e estava suado, mas parou e me olhou.
-Você está bem?
O abracei com força.
-Zayn!!! Eu o vi cair... eu... eu pensei...
-Ele não teria coragem. Taylor é medroso.
Quase ri.
-Quem é Taylor?
-Você o conhece como Launt. O nome de verdade é Taylor Lautner. Fez academia comigo quando éramos pequenos, então ele saiu. Éramos até amigos... nunca pensei que ele pudesse fazer algo desse tipo, e que fosse preciso eu nocauteá-lo...
-Sinto muito.
-Eu quem sinto. - Ele se separou de mim, mas não soltou meus braços. - Está bem? Ela machucou você?
-Só um pouco... nada de mais.
Então, nesse momento, lembrei-me de que anel eles estavam falando.
-Oh, o anel! - Corri para cima e Zayn veio junto.
-Que anel?
-Eles estavam atrás de um anel - Resumi a história para ele. - Agora sei qual é... mas não sei onde está.
-O que houve aqui? - Niall chegou.
Resumi novamente e descrevi o anel. Era de ouro puro com um diamante pequeno no meio. Dentro, havia algo gravado em espanhol - Las reglas ricas sobre los pobres enfermos. O rico governa o pobre doente.
-Nossa. - Niall disse.
-É, e agora eu tenho que achá-lo e tirá-lo daqui.
Ouvi um grito lá em baixo e desci correndo.
-MÃE? MÃE, TUDO BEM?
Na cozinha, minha mãe estava paralisada com uma arma na cabeça.
Provavelmente era Jessica!
-Melody... saia daqui.
Zayn e Niall vieram atrás de mim.
-Essa seria a Jessica? - Niall perguntou.
-Provavelmente.
-Conhece-a, Mel? - Mamãe perguntou.
-Jessica, Luke, Launt e Brith... mamãe.. estão atrás do anel que me deu!
Ela ficou pasma.
-O anel? Mas.. como eles...?
-Depois eu explico. Jessie, Luke, Launt e Brith estão desmaiados ali atrás. Avisei que não sei onde deixei o anel, mas eles não acreditaram. Por favor, vá embora.
Ela riu.
-Se eles lhe contaram isso... contaram que temos um refém, não disseram?
Parei. Esqueci-me completamente.
-Oh céus! Quem vocês...?
-Hahaha. Acha mesmo que eu vou dizer? Querida, saiba que é alguém que você ama. Quer a pessoa de volta? Dê-nos o anel.
-Mas eu não sei onde está! - Eu já chorava.
-Procure. Quero-o em minhas mãos hoje.
-Mas Jessie...
-Agora! - Ela destravou a arma na cabeça de minha mãe. Virei para trás e vi Zayn e Niall analisando a situação por inteira. "Eles vão conseguir... sei que vão". Subi com eles atrás de mim, seguidos de mamãe e Jessica.
-Vocês dois, sentados na cama. - Ela disse pra Zayn e Niall. Eles o fizeram. Estavam tensos, olhando tudo em volta. Sabia que cada um tentava formular um plano. Mas qual?
Zayn pareceu brilhar neste momento.
-Mel?
-Oi?
-Você não tava com ele no shopping semana passada? O anel que você descreveu?
Olhei-o. Niall pulou.
-Verdade! Ela disse que ia guardar no cofre do porão.
-Não, ela disse que ia guardar no banheiro da mãe dela!
-Porão!
-Banheiro!
Jessica ficou impaciente.
-Vão logo aos dois lugares e tragam o anel!
Zayn e Niall saíram do quarto. Entendi! Eles a tiraram de lá.
Peguei o cano que Zayn estava usando e fui atrás, com as mãos escondidas. Chegando perto suficiente, bati em sua cabeça com força. Ela caiu, soltando minha mãe.
Zayn veio até mim, sorrindo.
-Boa, Mel! - Ele me abraçou. Aí deixei caírem as lágrimas.
-Zayn... eu... ela...
Niall se abaixou e checou o pulso de Jessica.
-Está viva. Fique calma. Não foi forte para matá-la. - Ele pegou o meu braço. - Já você, se não se acalmar, vai desmaiar. Vamos, Zayn. - Ele ajudou minha mãe à se mover, já que estava paralisada, e saiu do quarto. Virei ara Zayn.
-Temos que tirar o anel daqui.
-Sabe onde o deixou?
-Não.
-Tudo bem, vamos procurá-lo.
Voltamos ao meu quarto e ficamos uma hora lá até eu cansar e me jogar na cama.
-Zayn, eu não sei onde pode estar.
Ouvi um barulho.
-Temos que sair. Eles podem acordar. - Zayn disse. Ele viu uma foto minha e a pegou. Olhou-a atrás, mas a colocou de volta. - Você tem que ir pra casa do seu pai de novo.
-É um abuso dele...
-É... é só até o fim do ano... - Disse, já triste de novo.
-Luke sabe onde é.
-Mas sabe que o anel não está lá. Está aqui. Em algum lugar. Você também sabe disso. Todos nós. Mas do que adianta arriscar sua vida? Ou de sua mãe?
-Mas eles vão assaltar um lugar...
-Só se acharem o anel. Se nem você sabe onde está, imagine eles. Vamos embora. - Ele olhou para trás. - Pela janela. Estão se mexendo.
Ele olhou o tal quadro de novo e o pegou, vindo até mim.
-Vá. Rápido.
Assenti e pulei a janela. Ele logo fez o mesmo. Niall estava acalmando minha mãe na calçada.
-Vamos embora. - Falei.
Eles não fizeram perguntas, só correram atrás de mim e Zayn.
-Zayn?
-Oi?
-Não posso ficar na casa do papai! Brith mora lá!
-Oh merda, eu esqueci! Ah... bem, calma. Vou pensar em algo!
Ouvimos um barulho alto e viramos para trás.
-Meu D'us! - Gritei e caí. Mamãe caiu também.
Minha casa. Minha casa estava em chamas e explodindo em vários cantos. Meu abalo emocional foi tão grande que não conseguia mais correr. De jeito nenhum. Meus joelhos tremiam, meu rosto estava molhado, assim como minha mãe. Zayn e Niall estavam tão perplexos quanto nós, mas a casa não era deles. Eu não sabia dizer o pavor que sentia, a raiva, tudo!
Uma multidão se formava aos arredores da casa. Notei pelo canto do olho Zayn guardar o tal quadro na bolça de minha mãe, mas não consegui formular qualquer pensamento. Viaturas e bombeiras chegavam ao local. O fogo foi reduzido à nada em 30 minutos. Minha casa era praticamente cinzas. Tinha certeza de que, se pisasse na escadinha da porta, tudo desmoronaria.
Um policial veio até nós e eu gritei.
-Calma, Mel. É um policial. - Niall disse.
-É o pai dele! É o pai dele, tirem-no daqui! - Eu gritava. O sr. Santos me olhava estranho, mas como se me compreendesse. - TIREM-NO DAQUI! É TUDO CULPA DELE!
-Mel, por favor. Ei, calma. - Zayn tentava me acalmar. Quando viu que não daria certo, falou com o policial: - Desculpe. Pode pedir pra outra pessoa falar com ela?
-Não! - Gritei. - Ninguém!
Zayn suspirou.
-Em 30 minutos?
O sr. Santos não disse nada, só assentiu e saiu dali. Minha mãe chegou perto de mim e eu resumi tudo o que havia acontecido. De novo. E provavelmente ainda ia resumir mais umas 500 vezes. Os médicos vieram ver se não sofremos nada, e felizmente, não havíamos.
Em 30 minutos, eu continuava atônita. Um outro policial chegou neste momento.
-Sinto muito, sra. Grace. - Ele falou com minha mãe. - Venham conosco, por favor.
Tentei levantar, mas Niall teve que me ajudar. Mamãe, sendo mais pesada, precisou de Zayn e do policial. Entramos em uma viatura. Na delegacia, nos foi oferecido café.
-Por favor, contem-me o que houve. - Pediu o policial.
-A tia Grace não estava lá. Nenhum de nós. - Zayn disse. - Mas a Mel já contou o que houve.
Então ele falou exatamente tudo o que eu havia dito.
Mas eu não disse à ele que haviam reféns.
-Zayn... Luke disse... que haviam reféns. Ele disse que se eu contasse, iam morrer.
-Disse quem eram? - O tira perguntou. Engoli em seco.
-Não. Mas disse que eu o amava muito. Ou ela, sei lá. Não especificou.
-Vamos ajudar. Mais alguma coisa?
Resolvi não falar sobre o anel, já que Zayn não o havia mencionado.
-Não... Nada.
-Tudo bem.. Bom, vocês tem algum lugar pra ficar?
-Bem, a casa do meu ex-marido... - Mamãe começou, mas eu logo vetei.
-Não!!! A Brith mora lá! Ela também tava lá em casa, e, pelo que vi, ela quem comanda tudo! Não vou, nem morta, morar com ela!
-É só até o fim do ano, querida.
-Não vou!
-Calma, tudo bem. - Disse o policial. - Podemos achar algo temporário pra vocês, mas... - Alguém entrou na sala e o policial se calou.
-Bom dia. -Disse. - A casa foi avaliada. Tinham muitas coisas de valor lá. Algumas - ele colocou uma caixa de anéis e colares de ouro e prata na mesa - foram recuperadas. Basta limpar um pouco. O resto foi avaliado em 100 mil.
Olhei minha mãe: era pouco, mas teria que servir.
-Mandamos olharem algumas casas que estejam livres. Há uma dois quartos em aluguel até o ano que vem. Podemos fazer contato. - Disse o detetive, que entrou atrás.
-Bem, vamos levá-las para ver.
Sem comentários, fomos levadas para lá. A casa era bonita, realmente. Simples, mas bonita. Não tinha dois andares como a minha, mas era grande, com uma sala enorme e uma TV de umas 40 polegadas, carpete suíço, janelas de vidro verde, cozinha branca de mármore, quartos razoavelmente grandes, dois banheiros e um quintal bem menor que o nosso, mas ótimo.
-Melody... - Ouvi minha mãe e virei pra ela.
-Sim?
-Vamos adiantar sua viagem. Você irá antes de mim.
Parei.
-O-o que?
-Vou adiantar sua viagem. Sei que você não gosta da ideia, mas com certeza eles vão entender. E você terá Jake ao seu lado. Sei que você o achou legal.
-Mas mãe... você me prometeu que eu ficaria até o fim do ano.
-Filha, eu queria... mas você tem que sair desse perigo.. -Ela me olhou significativamente, como que dizendo "e tirar o anel daqui".
-Mãe, o que tem de tão importante nesse...-Ela tapou minha boca.
-Nada. - Olhou os policiais falando com Zayn e Niall na porta. - Não tem nada.
Ouvi Zayn falando como eram as meninas. Olhei minha mãe.
-Você vai me contar depois.
-Melody, eu não...
-Vai me contar depois. Ou eu não volto pra casa nunca mais.
Ela ficou paralisada, mas não desfiz minha pose. Agradeci mentalmente a Zayn por vir falar comigo antes que ela pudesse se pronunciar.
-Você está melhor?
-Melhor?
-Bem, sei que bem você não está. - Deu um sorriso triste. - Mas pode melhorar, não pode?
-Bem... posso...
-E então?
-Não.
Ele me abraçou.
-Eu sinto muito mesmo, Mel. Deve ser horrível a sensação...
-De ver a casa queimar? É, é sim, pode crer.
O abraço ficou mais apertado. Decidi que essa era a hora de deixar as lágrimas rolarem de novo. Zayn me colocou no colo e foi até o sofá. Ele me sentou gentilmente, mas não me soltou de modo algum. Seu abraço era reconfortante.
-O-obrigada... obrigada por ter ido... ido me ajudar... desculpa te colocar n--nesse perigo... v-você e Niall...
-Tudo bem, Mel, tá tudo bem. - Ele me apertava forte.
Vi Niall entrar na sala com minha mãe. Ele não a abraçava por respeito, mas ela notavelmente precisava. E, mesmo assim, era estranho, por que minha mãe não era tão alta e Niall batia em seus olhos, fazendo-o parecer seu filho.
-Desculpa, Niall. - Pedi também. Ele me olhou.
-Pelo que?
-Meter vocês nesse perigo...
-Mel, eu mataria você se não tivesse nos chamado. Cheguei um pouco atrasado, mas cheguei.
-V-vocês podiam... Z-Zayn... ele...
-Mel, eu não morri. - Zayn me acalmou. - Foi só um nocaute, e foi rápido.
-Como está sua cabeça?
-Bem. Ah, com um galo, mas bem.
-Está doendo?
-Não. - Olhei em seus olhos e ele suspirou: - Sim. Mas não se preocupe. Estou bem.
Mamãe saiu da sala e voltou com um pano molhado e com gelo. Zayn disse que não precisava, mas eu peguei e pus em sua cabeça. Por um momento, ele mordeu os lábios, mas depois parou.
-Obrigado.
-Disponha. - Eu e minha mãe falamos juntas. Niall e Zayn riram.
-Muito bem, precisamos conversar. - Zayn falou e eu saí de seu colo, sentando ao lado dele.
-Por favor, senhorita Grace. - Niall apontou gentilmente uma das poltronas. Ela sorriu e sentou na da direita, e Niall, esquerda.
-Muito bem. - Zayn começou. - Já sabemos que Luke quer um anel. Um anel específico. Um que Mel sabe qual é, mas não onde está.
-E agora não tenho chance de achar. - Falei triste.
-Você não precisa. Zayn achou. - Niall disse.
Eu e mamãe olhamos os dois, pasmas.
-Está no retrato. - Zayn disse. Ele foi até a porta e voltou com a bolsa da minha mãe. - Por favor, tire-o daí.
-Por que você não tira? - Perguntei.
-Não mexo em bolsa de mulher. Vai que tem algo que ela não queira que eu veja?
Mamãe o olhou meio encantada e tirou o retrato da bolsa, lhe entregando em seguida.
-Obrigado. - Ele virou de modo que nós duas conseguíssemos ver. - Bem, vejam aqui atrás. Está muito bem escondido, mas tem uma rachadura. Conseguem ver? - Ele mostrou o quadro pra mim e depois minha mãe.
-Não. - Falei.
-Não... - Minha mãe pediu desculpas com os olhos.
Zayn sorriu.
-Niall, pegue uma faca.
Niall voltou em menos de 10 segundos e lhe entregou. Ele cortou a parte de trás do porta-retrato, e de dentro caiu um objeto branco.
-O que é isso? - Quis saber.
-Seu anel, enrolado num pano. - Ele desenrolou o objeto. Sim, realmente, era o anel. Ouro do mais puro com um pequeno diamante no centro. Dentro, gravado Las reglas ricas sobre los pobres enfermos. Ele me entregou o anel. - Tome cuidado com isso. Deve escondê-lo melhor, agora que eles estão atrás.
-O que pretende que eu faça?
-Não sei, o anel é seu. Mas deve ter cuidado.
-Bem, isso eu já sei. Mas não posso dar fim à ele, sendo isso de tal importância.
-Por que não devolvem à família Real da Inglaterra? - Niall perguntou.
-Por que qualquer pessoa em posse de tanto dinheiro assim endoida. - Mamãe explicou. - Por isso o dinheiro foi trancado. O que há de jóias ali, ouro, prata, bronze, rubis, esmeraldas... ninguém fica sã com isso. A vontade de gastar é humana. A pessoa em posse disso iria poder pagar pra acabar com todo o Estados Unidos.
Nós três a olhamos, pasmos.
-Tudo isso? - Zayn quis saber.
-E mais.
-Mais? - Niall quase gritou.
-Sim, bem mais.
-Por isso precisa de tanta proteção... - Falei. - Mas como cabe tanto dinheiro em um cofre?
-Ah, querida... ele começa na altura do piso térreo e desce até mais ou menos o que seria o Empire State. E é lotado até quase o topo. Há passagens pelo meio feitas de vidro transparente para que possamos ver direito e...
-Mas por que, se ninguém entra lá?
-Antigamente a família protetora do anel entrava para ver se não haviam burlado nada. É arrumado de modo que possamos controlar. Quando a família Real precisava, retirávamos um pouco do dinheiro para que pudessem melhorar. Por que acha que não tiveram tantas crises? Por isso mesmo. Até o dia em que o dono do anel foi morto. O anel se perdeu e só foi achado 273 anos depois, pelo tataraneto do ex-dono. Por sorte, o garoto sabia exatamente como era o anel e sabia para que servia. Ele o pegou e avisou à família Real sobre isso. Ele virou o novo protetor. Então, houverão oito tentativas de assassinato contra ele. A Rainha decidiu que ele deveria fugir, e ele viajou durante uma noite bem movimentada para que ninguém o pudesse seguir. Ele foi para a China. Passou o anel para o filho que veio para a Argentina, e a filha veio pro Brasil. Até hoje, nós passamos o anel de geração em geração, mas só contamos a história no leito de morte, ou deixamos uma carta. Dessa vez, não foi assim.
-Pelo menos a senhora não vai morrer agora. - Falei. Estava com raiva dela, mas a ideia de viver com meu novo pai e sem ela iria me matar.
-Não, amor, não vou. - Sorriu.
-Agora me explica que história é essa do papai e da Liz?
-O que tem?
-Deles serem irmãos!
Zayn e Niall ficaram tão surpresos quanto eu fiquei. Mamãe suspirou.
-Eu e seu pai... bem, ele é descendente de alguém que cuidava da família Real e ele deveria encontrar o dono do anel para ajudar a protegê-lo. Ele levou 17 anos pra isso. Quando nos casamos, não nos amávamos de verdade, tínhamos nos conhecido à somente alguns meses. Acabamos por nos amar depois, mas tudo foi pelo anel. Eu nunca quis ninguém em perigo...
-Mel e Brith foram uma surpresa pra você, não foram? - Niall deduziu.
-Sim... eu nunca havia planejado ficar grávida. Apesar de muito feliz, foi realmente uma surpresa.
Minhas mãos tremiam. Minha mãe não me queria?
-Quando elas nasceram, eu fiquei com medo. Medo de metê-las nisso. Queria que suas vidas fossem o mais normal possível. Mas ficamos sabendo que alguém estava por perto atrás do anel. Mike teve a ideia de nos separarmos, pois eu nunca fui muito rica. Nunca poderia deixar um legado tão grande quanto aquele anel. Então ele ficou comigo. Mas ele solteiro também era um perigo. Demorei, mas o convenci a casar com a irmã. Por segurança. Como ele não queria perder a ligação conosco, Brith foi com ele. Ia ser você, mas Brith chorava longe dele, então ela quem foi. - Tremi. - Megan também não foi planejada, não por Mike. Mas, eu e Liz conversamos e sabíamos que um filho deles iria proteger a nós, pois a chance do legado ser dado à este filho ou à Brith era muito grande. Mike não queria, mas ela ..
-Não precisa contar como Megan nasceu, mãe, obrigada. - Falei vermelha. Zayn e Niall riram, mas sem humor. Notaram que eu estava bem tensa. Zayn segurou minha mão pra me dar conforto e eu sorri pra ele.
-Bem, terminando: Meg e Brith quem tinham as chances de ter o anel, por isso o perigo de virem atrás de mim era reduzido à 25%. Quanto mais movimentamos o anel, mas difícil é de achá-lo.
-Então vamos morar nos EUA por causa dessa bosta de anel? - Perguntei.
-...
-Jake sabe disso?
-Não.
-E aquele idiota que vai ser meu padrasto?
-Não. E ele não é idiota, Mel, ele só...
-Quer seu corpo nu!
-Melody!
-O que? Você acabou de dizer que realmente não me queria, que você e papai não se amavam e que você o obrigou a casar com a irmã por causa de uma porra de um anel! Acha que tem o direito de me pedir pra ser sensível?
-Querida, eu..
-Querida o caralho, mãe! Isso é ridículo! - Levantei e me tranquei em um dos quartos dali. Era pequeno, mas aconchegante. Ouvi uma batida na porta. - VAI EMBORA, MÃE!
-Não é sua mãe. Sou eu.
Suspirei e abri a porta para Zayn.
-E Niall?
-Ajudando sua mãe a parar de chorar.
-Não vou me sentir mal por gritar com ela.
-Eu sei. No seu lugar, acho que teria feito o mesmo. - Ele entra no quarto e tranca a porta de novo. Ele me abraça. - Sei que não está bem. Mas não sei mais como ajudar.
-... deita comigo?
-Como isso vai ajudar?
-Você é reconfortante... - Corei. Ele sorriu.
-Claro.
Peguei sua mão e o puxei pra cama. Ele deitou na minha frente, me abraçando como se me protegesse, o que me fez sorrir. Mas não durou muito tempo. Comecei a pensar em tudo o que houve, no que todos me disseram, e em como ia viver nos Estados Unidos sem os One Direction, Justin, Christian, Chaz, Ryan, Jasmine, Selena, Demi, os Big Time... Assim, comecei a chorar. Zayn me apertou contra o peito e beijou minha cabeça levemente várias vezes, fazendo carinho em meus braços e costa.
Dormir, naquele estado, foi a coisa mais fácil do mundo.
-Caralho, que firme!
-Man, foda!
-Isso que é filme bom!
-To tonto de tanto pulo.
Nós rimos. Somos tão babacas.
-Aí, vamos comer? - Perguntei.
-Valeu, cara, mas eu to enjoado. - Chris disse. - Vou só acompanhar vocês.
-De boa. E vocês dois? - Olhei Chaz e Ryan.
-Cara, quando a gente não quer comer? - Chaz riu.
-Verdade, que pergunta babaca. - Ryan disse.
-Vão se foder. - Eu ri e Chris me acompanhou.
-Com a Demi lol - Os olhos de Chaz brilharam.
-Valeu, to bem, aqui. - Ryan riu.
-Gay. - Chaz o olhou.
-Eu não fodo homem ;)
-Nem eu, mas eles me desejam.
-Nem uma gripe você pega, Chaz - Chris disse e todos nós rimos.
-Credo, Chris, sacanagem comigo.
-Sacanagem é o que você faz sozinho no banheiro. - Zoei.
-Ah, claro, e você ama me ouvir gemer, né, Bieber?
-Cara, você acabou de admitir que é uke. - Ryan disse.
-Não, eu disse que ele ama me ouvir gemer, não falei que ele me enraba - Riu.
-Uke? - Chris perguntou.
-É o passivo do casal gay. - Ryan explicou.
Chris ficou surpreso.
-Chaz, você é passivo?? HAHAHAHAHHAHAHHAA SABIAAA
-Ai, caralho, meu ouvido ù.ú - falei
-Foooooooda-se kkkkkkk
-Chris falando tanto palavrão em menos de 15 minutos. Que isso, menino, não te conheci assim. - Chaz riu.
-Culpa de vocês kkkk to bem aproveitando a vida enquanto posso lol
-Pois é, a vida é curta demais pra desperdiçar, né, irmão? - Sorri. Ele sorriu de volta, mas quando Chaz e Ryan viraram, vi uma ponta de tristeza em seus olhos que eu não pude deixar de fazer uma nota mental de falar com ele depois.
Chaz foi no Bob's e dei dinheiro pra Ryan comprar um BigMac pra mim, dizendo que minhas pernas doíam e eu precisava relaxar. Eles foram pra longe e olhei Chris ao sentarmos em uma mesa.
-Manda a real, irmão. Qual foi a daquela tristeza quando estávamos falando de vida?
Ele me olhou.
-Que tristeza?
-Beadles. - O olhei como se dissesse "não me esconda nada ou eu vou descobrir sozinho e vai ser pior". Ele suspirou.
-Segredo.. ok?
-Claro. Abre o bico.
-.... eu tenho câncer.
Engasguei com o ar.
-Como disse?
-Câncer. No estômago. Por isso você viu minha irmã chorando quando saímos.
-Como você...?
-Eu te vi a olhando e eu sabia que ela estava lá. Não tente me esconder as coisas também. Sou do tipo de pessoa que ninguém acredita que existe: tenho sensações que me dizem a verdade.
-Uau, legal, mas voltando. Quando descobriu?
-Um tempo atrás. Lembra quando tive enjoo pela primeira vez na sua casa?
-Hm... lembro.
-Descobri três dias depois, por que eu tava vomitando sangue e minha mãe quase morreu.
Apertei seu ombro.
-Nossa, cara, eu sinto muito mesmo.
-Não sinta. - Deu de ombros. - Se tenho, é por que era para ter. - Depois, ele me olha sério. - Não mude de atitude comigo por causa disso. Não quero ninguém tendo qualquer chance de saber.
-E se você passar mal?
-Bem, aí, me ajude, por favor.
-Claro que sim, babaca! Você acha que eu ia deixar um dos meus melhores amigos passando mal e não ia fazer nada?
-Agora, não. - Riu.
-Agora?
-Quando te conheci, achei que queria me matar.
-Olha... - Zoei e nós rimos. - Não vou mais lutar com você, o ponto que eu mais acerto é sua barriga. - Então me toquei e o olhei: - cara, devia ter falado antes!!! Eu soquei sua barriga umas quinze vezes depois daquele dia!!!
-Eu sei.
-Você passou mal depois de alguma delas?
-Das quinze? Vinte vezes.
-Christian!
-Desculpe. Eu não quero que pare de lutar comigo, e por isso eu não contei. Eu gosto de lutar, quero viver em quanto posso.
-É fatal?
-Pode vir a ser. Por enquanto, eu só como na dieta do médico e em casa.
-Se precisar de mim, cara, pode me ligar, mesmo que seja meia-noite. Tudo bem?
-Obrigado, Justin. Mesmo. Não sei o que faria sem você.
-Não tiraria boas notas em inglês, não conheceria Chaz e Ryan, não...
-Tá bom, entendi, muita coisa. - Nós rimos.
-E aí, veados? - Chaz chegou com o lanche dele.
-Fale bixa louca. - Falei.
-E aí, puta? - Chris zoou.
-Pelo menos eu pego todas lol - Nós rimos.
-Quem pega todas? - Ryan chegou e me deu meu lanche.
-Valeu. - Agradeci.
-Chaz. - Disse Chris.
-Chaz pega todas? De anda. - Ryan perguntou.
-Pega nada. - Falei.
-Por favor, meninas, sou foda, vocês me amam. - Chaz zoou.
-Aham, claro. - Ryan ironizou.
-Claro mesmo. Sou o dono de vocês, minhas vadias.
-Oh, senhor, deseja uma massagem na sua vagina?
Eu e Chris choramos de tanto rir. Ryan sabia jogar, e Chaz também pipocou de rir. Nem mesmo Ryan se segurou.
-Não tenho vagina, diferente de você, vagabunda. Agora vai buscar a tua..
-Chaz, chega. - Eu ria tanto que tive que pedir pra parar, minha barriga doía. Vi Chris rindo muito também, então me toquei que ele podia estar sentindo dor. Sorte que ele não me viu olhando, ou podia achar que eu pedi pra parar por causa dele, e ele ia ficar chateado. - E-eu vou morrer s-sem ar, merda! - Ainda ria.
-D-dois. - Chris ria muito.
-F-foi mal. - Chaz gargalhava tanto que todos nos olhavam. Ryan ria, mas mordia os lábios pra tentar parar.
Meu celular vibrou e vi que o de Chris também. Eu peguei o meu e abri a mensagem.
Parei de respirar.
Levei um tapa e voltei ao mundo. Chaz o havia me dado. Ryan deu um em Chris, que estava vermelho, então soube que ele recebeu o mesmo.
-Caras, vocês estão bem? - Chaz perguntou.
-Os dois pararam de viver ao mesmo tempo. O que houve? - Ryan quis saber.
Minha mão tremia. Olhei Chris. Ele estava verde, enjoado.
-C-Chris...
-Não... eu... - Ele correu pro banheiro.
-Chaz, Ryan, fiquem aqui, por favor, não venham! - Corri pro banheiro antes que eles pudessem questionar.
Alguns homens me olharam quando entrei, mas não me importei.
-Chris? Chris, onde você tá? Você tá bem?
-O garoto vomitando? - Um homem me parou. - No último da direita.
-Valeu, cara. - Corri pra lá.
A porta tava trancada. Só pude ver os tênis de Chris, vendo que estavam em posição de estar ajoelhado. Eu o ouvia vomitar.
-Cara, não tem nada que eu possa fazer?
-Por isso? N-não.. - Honestamente, eu fiquei enjoado só de ouvi-lo vomitar, mas não ia sair dali nem morrendo. - Mas valeu.
-Você trouxe remédio pra parar?
-Não... Eu não pensei que... Não tava me sentindo mal quando saímos... achei que não ia vomitar...
-Cara, se você recebeu a mesma mensagem que eu, eu entendo muito bem. Até eu quero vomitar.
-É verdade? Ela tava lá dentro?
-Não sei, Chris. - Então me lembrei de Zayn e Niall correndo. - Aqueles dois... eles sabem de alguma coisa...
-Que dois?
-Malik e Horan... eles estavam indo pra casa dela, lembra?
-Acha que foi o Zayn? Niall nunca ia deixar, e..
-Mas Niall pode ter sido alvo também!
-Ligue pra ele, caramba!
-Claro, patrão --' - Liguei.
-Alô?
-Niall?
-Fala cara.
-Uau, você tá vivo!
-Claro que tô .-. por que?
-Cara, é verdade sobre a casa da Mel? - Perguntei tremendo.
-Ah cara... você e o Beadles já tão sabendo?
-Então é verdade? Ela... a Mel..
-Ela tá bem, Zayn a tirou de lá antes mesmo de sabermos que ia acontecer isso.
-Zayn.. a tirou?
-Claro, cara. - Ele me contou o que houve durante o dia, o que Me havia dito pra ele. - E agora estamos numa casa nova e provisória, já que elas só vão ficar até mais ou menos novembro ou dezembro.
-Onde é?
-Eu não sei a rua, viemos na viatura da polícia pra cá.
-Ela pode falar com a gente?
-Acho que o Zayn a fez dormir, não escuto barulho nenhum vindo do quarto dela.
Quase engasguei.
-Zayn e ela estão no mesmo quarto?
-Cara, Zayn não vai matá-la! Confia nele.
-Confio em você, Niall. Se você diz, eu acredito. Mas nele, não.
Ouvi Niall suspirar.
-A Mel tá bem. A tia Debi dormiu aqui no sofá e eu estou olhando pra ela não cair, por que ela tá muito na ponta. A Mel já chorou, já gritou, já brigou com a mãe.. na medida do possível, ela está bem.
-Ela se machucou?
-Não, está intacta.
-... obrigado, Niall. Cuide dela, por favor.
-Claro. Fique calmo, ok? Você e o Beadles.
-Vamos tentar. Valeu mesmo. Até.
-Tchau.
Desliguei e olhei os pés de Chris. Ele já tinha parado de vomitar, estava só sentado descansando.
-Você tá bem, cara?
-Indo... e a Mel?
-Niall disse que está intacta.
-Graças aos Céus.
-Vamos, Beadles, você precisa ir pra casa.
-Espera um pouco... tá doendo pra caralho..
-Tá bom, eu to sentado aqui do lado de fora. - Sentei na porta do box dele.
-Valeu, Justin. Mesmo.
-Não precisa agradecer.
Apoiei a testa nas mãos. Comecei a pensar em tudo. Primeiro, o mais estranho: eu e Chris. Somos amigos, agora. Sempre brigávamos pela Mel, mas essa disputa que acabou nos unindo. Pra mim, ele é praticamente um irmão, assim como Chaz e Ryan.
Segundo: a Mel. Estava cansado dela nem querer mais olhar na minha cara. Eu estive errado, é verdade, mas poxa!, ela poderia tentar me entender.
Ok, não tem o que entender. Eu tava errado, muito, de verdade. Mas eu estou arrependido, e isso ela tem que entender.
Terceiro: Luke! Vou matá-lo por fazer isso com a Mel e a tia Debi! Lautner, Jes e Brith também!
Quarto: tenho que ficar de olho em Zayn antes que a Mel engravide.
Chris saiu do banheiro dez minutos depois. Me levantei e o olhei. Ele estava pálido demais, até a boca estava branca.
-Você precisa beber água.
-Só um pouco... vamos voltar pra Chaz e Ryan...
-Te levo até a mesa e vou comprar sua água.
-Valeu.. - Ele pôs a mão na cabeça e quase caiu, então eu o segurei.
-O que foi?
-Tontura... bem forte. Acontece com a perda de água... desculpa. - Pediu.
-Por que? Cara, não fica mal com isso. Vem, vamos até a mesa.
Eu o ajudo até ele sentar. Chaz e Ryan estavam conversando nervosamente, mas ao verem Chris, quase ficam pálidos que nem ele.
-Cara, você tá péssimo! - Chaz disse.
-Valeu. - Chris deu um sorrisinho irônico.
-Já volto. - Saí pra comprar a água pra ele.
Na fila eu olhava a mesa o tempo todo. Queria ter certeza que Chris não ia precisar ir ao banheiro correndo, por que eu não ia ter como correr pra lá rápido a essa distância.
"Caramba, ele tem câncer!!!! A ficha ainda não caiu pra mim!!!"
Comprei a água e dei a ele, que bebeu lentamente depois de agradecer. Sentei ao seu lado. Tinha perdido a vontade de comer. Mas ele me mandou comer pra não passar mal de fome depois e acabei cedendo.
-O que vocês receberam pro Chris precisar vomitar? - Ryan quis saber.
-Incêndio na casa da Mel. Foi o Luke e a turma dele.
-Como você sabe? - Chaz perguntou.
-Chris educadamente me pediu pra ligar pro Niall.
-Niall? - Ryan perguntou.
-Justin burramente lembrou que eles estavam correndo pra casa dela. - Chris falou e eu ri. - Zayn e Niall.
-Ah. E o que mais ele disse?
-Ele disse o que a Mel contou à ele: que o Luke chegou na casa dela cedo e chamou-a pra ir com ele pra ela não sabe onde e depois um cara, que seria o Launt, fingiu ter matado ele... - Narrei o resto do episódio à mim narrado antes. - Agora ela tá dormindo.
-Ela tá bem? - Chaz quis saber.
-Óbvio que não, mas eles estão com elas.
-Acha que vão ficar livres? - Chris quis saber.
-... Não sei, Beadles... não sei...
Oi, oi, oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!! Meninaaaas, o próximo cap é o último da temporada #chorei !!!!!!!!!! Vamos ver o que vai acontecer???? Vou começar com dois coments ;*
Ai cara, vou chorar, caramba, não queria acabar agora kkkk mas segunda temporada só depois, ainda tenho cinco IB's novas, fazer oq suahsuahsa espero que curtam, girls, luv ya <3
Assinar:
Postagens (Atom)

